O cabo PM Rosivaldo Rodrigues Barbosa já estava no quadro de reserva da PM quando foi assassinado, no último dia 22, no bairro do Guamá, em Belém. Ele fazia um trabalho extra como segurança em uma casa de apoio da Prefeitura do Acará e foi executado a tiros. Assim como o cabo, outros policiais – sejam da ativa ou da reserva - também foram vítimas da violência enquanto faziam um trabalho extra para aumentar a renda. Este tema causa polêmica, mas também traz a tona uma demonstração da precariedade que os policiais enfrentam para sobreviver. Sem reajuste salarial há dois anos, os PM’s acabam se tornando empreendedores ou tirando serviços temporários como seguranças privados, deixando os praças no mesmo patamar de insegurança e dificuldades que outros trabalhadores enfrentam no Pará.
Para a Associação dos Cabos e Soldados da PM e BM do Estado a situação dos policiais não está fácil em vários aspectos e a situação se agrava diante da ausência de um posicionamento do Governo do Estado, que está sem dialogar com os policiais desde 2015, quando aconteceu o movimento do 6º Batalhão. “São 2 anos sem reajuste e não há nenhuma perspectiva sobre isto até agora. O governo não se posiciona e aí a tropa está nessa situação que está”, destacou o cabo Silva, presidente da Associação.
O cabo Silva tem ciência de que as atividades extras, chamadas de “bico”, que os policiais fazem não é uma atividade regulamentada, porém compreende a situação quando isso é feito pelo agente de segurança pública. “Nós não podemos tirar ‘bico’, mas o policial militar tem família, tem filhos, tem esposa... Então, quando o salário dele não é o suficiente para dar dignidade para a família, ele se vê obrigado a esta situação”, justificou.
ESTADO AUSENTE
“Infelizmente colegas nossos tiram ‘bico’ para poder completar a renda porque o que Estado está pagando não é o suficiente. Se o Estado realmente remunerasse de forma que o policial tivesse condições da de dar uma vida digna à sua família, uma moradia digna, uma alimentação digna, um estudo digno para os filhos, não haveria necessidade de ele estar ‘tirando bico’, se arriscando”, pontuou o cabo Silva.
O titular da associação comentou ainda que muitos policiais militares recorreram a empréstimos consignados para se livrar de algumas dívidas, o que os prejudica na hora de conseguir concretizar algumas negociações financeiras. “Muitos colegas não tem margem no contracheque porque estão devendo ao banco. A situação obriga ele a fazer isso”, disse o cabo Silva. Para quem atua nas cidades do interior, a situação é mais preocupante que na Região Metropolitana de Belém. Isto a começar pelo fato dos policiais precisarem recorrer à Justiça para conseguir ter acesso a lei da interiorização.
Além disso, em muitos municípios paraenses os policiais enfrentam dificuldades para usufruir do plano de saúde, pois não há clínicas e hospitais credenciados ao Instituto de Assistência dos Servidores (Iasep). “A diretoria do Iasep quer que a gente (associação) vá atrás de hospitais e clínicas para se credenciar, mas acho que este é um papel deles e não nosso”, frisou o cabo Silva.
(Denilson D'Almeida/Diário do Pará)
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