“Uma tragédia anunciada”. É dessa forma que o perito criminal e sindicalista Ériko Nery avalia o assalto praticado por um bando de pelo menos 10 homens na madrugada do último domingo (2), no Centro de Perícias Criminal (CPC) Renato Chaves de Castanhal. É a terceira vez que a instituição é alvo de ação criminosa no município, duas vezes ocorreram em 9 meses.
Nery credita responsabilidade ao Governo do Estado, pois ele afirma que o crime poderia acontecer a qualquer momento e providências de segurança já teriam sido pedidas à direção do CPC. “O diretor Orlando Salgado atribuiu a uma ‘parada dada’, mas isso só funcionou porque não há segurança”, reclama.
Segundo ele, os assaltos anteriores ocorreram em 1996 e em outubro do ano passado. Desde o segundo registro, a segurança armada foi retirada da instituição e nenhuma medida efetiva teria sido tomada. “Apenas aumentaram o muro dos fundos, colocaram uma grade na porta da frente e na janela da sala de balística”, reitera Nery. Os criminosos invadiram a instituição, renderam os funcionários, entre eles peritos e agentes de portaria, e levaram armas e drogas que estavam ali para ser periciadas.
ESTRUTURA
Para entrar, a quadrilha fez um buraco no muro dos fundos do CPC, que dá acesso a um cemitério. “Não existe um sistema de segurança, principalmente nas salas em que deveriam existir, como laboratório onde estão materiais biológicos e drogas e na sala de balística”, diz Ériko Nery. “São objetos que vão alimentar laudos e provas. O roubo gera prejuízos para vários processos da Justiça, pois dependem dos processos periciais”, explica o perito.
Ainda de acordo com ele, até o momento, 5 pessoas foram presas envolvidas no crime e parte das armas foi encontrada. O motorista da instituição, Bruno Patrick Monteiro, teria passado as informações privilegiadas para a quadrilha que atuou no roubo. “Foi um crime organizado contra uma instituição vulnerável”, acrescenta.
A unidade do CPC de Castanhal conta com 51 peritos para atender a demandas de 58 municípios. Após o roubo, a maior preocupação é com a segurança dos funcionários, já que eles continuam expostos. “Esperamos que a direção geral e a Secretaria de Segurança Pública tomem efetivas medidas de segurança”, diz o perito.
A categoria reclama, ainda, da estrutura de atendimento, equipamentos, materiais específicos da perícia. Eles estão ainda há 3 anos está sem reajuste. Os peritos também querem adicional de perícia judiciária, risco de vida e incorporação do abono salarial base.
(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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