A insegurança tomou conta da rotina dos rodoviários do distrito de Outeiro. Com medo dos assaltos, eles realizaram um protesto na última sexta-feira (7) contra a onda de violência no local. Na semana passada, o fim da linha do Outeiro-São Brás, no bairro da Brasília, foi assaltado dois dias seguidos. Os criminosos levaram a renda do ônibus e objetos pessoais dos passageiros e rodoviários.
Trabalhando há um ano na linha, o cobrador Rhaysthen Silva, 35, nunca foi assaltado, mas convive com relatos de colegas. “São tantos casos, que é impossível trabalhar sem medo”, revela.
Os pequenos comerciantes do entorno também afirmam que vivem sobressaltados. Dona de um comércio de lanches, Lene Santos, 45, presenciou o assalto da última quinta-feira (6). À luz do dia, um dos criminosos iniciou o arrastão na frente do comércio dela. Ele abordou a cobradora, roubou o celular e a bolsa da vítima, depois roubou o celular do filho da comerciante de apenas 14 anos e saiu correndo em direção aos motoristas e cobradores que se preparavam para sair.
TOQUE DE RECOLHER
Devido à violência, vários vendedores estão fechando as portas mais cedo. “Depois do meio-dia, fica soturno e agora eu fecho tudo e vou embora com medo de assalto”, conta Lene.
A violência, no entanto, não acontece somente nos fins de linha do distrito. Segundo os rodoviários, os assaltos também são constantes ao longo do percurso e em horários diversificados. De acordo com o diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Otacílio Monteiro, o que mais preocupa a categoria é o crescimento dos registros de agressão física contra os trabalhadores. “Antes, eles queriam só assaltar, agora já chegam agredindo. Na semana passada, tentaram esfaquear um cobrador”, denuncia Monteiro.
A preocupação maior é com o período das férias, já que a ilha costuma atrair centenas de pessoas, o que atrai ainda também mais os criminosos. O sindicato reivindica a instalação de um posto policial nos fins de linha, além de mais ronda de viaturas nesses locais.
(Leidemar Oliveira/Diário do Pará)
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