Em menos de uma semana, a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil do Pará, desmontou um esquema milionário de tráfico de drogas. Quase R$ 7 milhões foi o prejuízo que traficantes tiveram com a apreensão de cerca de 4 toneladas de cocaína. Até o momento, 6 pessoas supostamente envolvidas na organização criminosa foram presas. A operação é considerada a mais importante dos últimos 10 anos. Com isso, encerra-se sua segunda fase, mas de acordo com os policiais, ainda há pelo menos 6 pessoas envolvidas no crime que devem ser presas ao longo das investigações.
A apreensão 135 kg de pedra de óxi – tipo de droga oriunda da cocaína – dividido em 125 tabletes ocorreu na madruga de ontem (12), quando policiais civis da Denarc encontraram a droga enterrada na ilha da Olaria, município de Ponta de Pedras, no Marajó. Samuel Correa Flores, de 35 anos, foi detido, apontado pela polícia como “mula” – responsável pelo transporte.A operação foi deflagrada no mês de maio com a prisão de Carlos Macedo.
A partir de então, os policiais conseguiram prender, no dia 1 de julho, Anderson do Vale Lima, Patrick Menezes de Araújo e Eduardo da Silva, enquanto eles se reuniam no estacionamento de um ponto turístico da capital, mas foi na madrugada do dia 7 que ocorreu a primeira apreensão: 60 kg de óxi, juntamente com um fuzil calibre 556 com 31 munições e um remo.
Na ocasião, Francilei Leão dos Santos foi detido, suspeito de integrar a quadrilha que ajuda a abastecer o comércio ilícito na região metropolitana de Belém. A segunda descoberta aconteceu no dia 10, quando 205 kg do mesmo tipo de droga foram localizados também na região da ilha da Olaria, no Marajó.
Segundo o delegado Gabriel Costa, à frente das investigações, somando as 3 apreensões: 405 kg de entorpecentes foram impedidos de entrar na Grande Belém. Um prejuízo de R$ 6,885 milhões ao esquema de tráfico.
O que chamou a atenção dos policiais foram as embalagens em que a droga estava empacotada. Havia tabletes nas cores verde e amarelo, vermelho, preto e, branco, que segundo o delegado diretor da Denarc, Henisson Jacob, a estratégia serve para diferenciar a clientela. Ainda segundo o delegado, o esquema é feito a seguinte divisão: donos, mulas e receptadores.
A droga saiu da Colômbia, seguiu para a cidade de Tabatinga, no Estado do Amazonas com destino final a região metropolitana de Belém. “Cada um tem a sua participação que vamos descobrir ao longo das investigações. Pelo menos 6 pessoas ainda serão presas, parte delas já foi identificada”, destaca Jacob.
80% da droga no mercado paraense é de pasta base de cocaína
De acordo com o delegado geral da Polícia Civil do Pará, Rilmar Firmino, 80% do entorpecente do mercado paraense é de pasta base de cocaína, mas para ele, combater esse crime é tarefa difícil pela ausência de fiscalização nos rios e estradas. “Desde 2009 a base Candiru, localizada no estreito de Óbidos, foi desativada. Antes, todas as embarcações eram fiscalizadas, mas agora, trafegam livremente por que não temos um controle nas fronteiras dos nossos rios por onde tem entrado grande parte da droga. Nas rodovias federais não é diferente. É por terra que entra boa parte da maconha, mas com a desativação de vários postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), os veículos não são parados, deixando assim, mais uma rota livre de drogas e armas”, explica.
“Essa foi a mais importante apreensão de drogas dos últimos 10 anos. Além do golpe de quantitativo, existe a questão financeira e famílias livres de tantos males causados pelas drogas”, afirma. A Justiça deu permissão para que o entorpecente fosse incinerado. Inclusive ontem mesmo, 270 kg da droga passaram pelo processo.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)
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