Manoel Martins dos Santos sempre foi um homem trabalhador. Morava na Pratinha II há cerca de 15 anos, junto à mãe e aos filhos. Na vizinhança também estava em família, cercado por irmão, irmã e outros parentes. Seu local de trabalho também era nas redondezas. Mas a profissão acabou sendo uma fatalidade: vigilante. Aos 43 anos, ele foi assassinado na madrugada de domingo, enquanto estava a serviço.
O crime aconteceu na Passagem Liberdade, entre as passagens Açaí e Cupuaçu, no bairro da Pratinha II. Ele foi vitimado com tiros pelas costas, sem ao menos ter a chance de reagir. Seu corpo ficou deitado no meio da rua, ainda com as pernas agarradas à bicicleta vermelha que usava durante o serviço. A família conta que antes Manoel trabalhou como padeiro, mas a vida acabou o levando para ser vigilante da região onde morava, há 3 anos.
A Polícia Militar esteve no local, com a viatura 2410, 24º Batalhão e 5ª Companhia, a cargo dos militares Ronaldo e Edwilson. O homicídio foi por volta de 00h do dia 06. Sob o receio, ali imperou a lei do silêncio: os populares diziam não ter visto nem saber sobre quaisquer circunstâncias da morte. O perito criminal Wamilton Albuquerque, do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, informou que a vítima levou 7 tiros e todos pelas costas. “A maioria dos tiros foi na cabeça e o cenário é de execução”, explicou. O perito relatou ainda que foram encontrados projéteis e estojo de calibre 380.
VIGILANTE
Assassinatos a vigilantes têm tido uma frequência assustadora. No dia anterior, Givanildo Rodrigues foi a vítima. Ele era vigilante do bairro Águas Brancas, em Ananindeua, região metropolitana de Belém, e, assim como Manoel, não tinha envolvimento com o crime e era morador do mesmo bairro onde atuava. Na quinta-feira, o vigilante Evandro do Carmo Fernandes da Cruz foi morto no bairro do Guamá e também não tinha passagem pela Polícia.
Diante desse contexto, quem é vigilante tem a preocupação constante de se manter seguro durante o ofício. Jaque Viana, 46 anos, consagra 13 anos na profissão. Criado no município de Mocajuba, nordeste paraense, era acostumado a trabalhar na roça. Mas acabou se mudando para Belém, onde sua esposa tem família. Foi então que sua vida mudou drasticamente. Precisando de emprego, surgiu a oportunidade de fazer a vigilância no bairro Maracangalha, ele aceitou e nunca mais saiu. “No começo, foi muito complicado. Minha família toda falava para eu largar porque era muito perigoso”, recorda.
Ele é responsável por garantir que as residências de seus clientes sejam protegidas contra invasões e assaltos. Munido apenas de um apito e com um cão de rua ao lado, ele segue pelos quarteirões fazendo a vigia.
O vigilante conta que, nesse período de mais de uma década, já presenciou muitos crimes, mas apenas uma vez foi assaltado em serviço. Para Jaque, a profissão exige demasiada cautela e discrição para evitar se tornar uma vítima. “A questão é não andar equipado, nem com arma, para não chamar a atenção dos criminosos. Se você puxar uma arma para alguém, há uma grande chance de se tornar um alvo”, acredita.
(Alice Martins Morais)
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