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UIPP fecha as portas de noite

domingo, 22/10/2017, 19:58 - Atualizado em 22/10/2017, 19:58 - Autor:

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Se já não bastasse conviver com a sensação de insegurança diante de uma violência cada vez maior no Estado do Pará, os moradores de diversos bairros da Região Metropolitana de Belém têm mais um motivo para ter medo: o efetivo de policiais civis, que já é insuficiente diante da demanda, reduz durante a noite. Isto resulta em diversas unidades policiais e de Segurança Pública fechadas durante o período noturno. Um caso deste tipo ganhou as redes sociais, há alguns dias, depois que um vídeo gravado por moradores do Tapanã passou a circular entre aplicativos de trocas de mensagens e mídias.


Na gravação de 31 segundos os populares mostram a Unidade Integrada do Pro Paz do Tapanã fechada e com várias viaturas paradas em frente ao prédio, durante a noite. No espaço funciona uma delegacia, digamos assim, e mais uma sala que serve como base para guarnições da PM.


Pelo vídeo não é possível saber quando as imagens foram feitas, nem o horário. O que é certo é que a gravação foi feita a noite e que a porta de acesso ao prédio estava trancada. O problema não é restrito a UIPP Tapanã. Em outras unidades integradas, delegacias e seccionais não há expediente depois das 18h. O que funciona a partir deste horário são apenas as Centrais de Flagrantes, onde se registram as ocorrências policiais em casos de autuações de flagrantes.


 



“DESCOBERTOS”


Estas centrais funcionam na Seccional de São Brás, Icoaraci, Marambaia – em Belém; Cidade Nova, em Ananindeua; e Marituba. Por aí se tira o número de bairros e conjuntos que ficam “descobertos” às noite, aos finais de semana e também feriados.


Para o Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol) este problema da falta de policiamento que a população enfrenta é fruto da má gestão do governo do Estado e da carência de políticas públicas de Segurança Pública – isto sem citar a falta de valorização dos servidores públicos. O vice-presidente do Sindpol, Pablo Farah, ressalta que não é de hoje que os paraenses enfrentam essa realidade. “No Pará, existe um problema de falta de contingente policial”, enfatizou.Segundo ele, o quadro de policiais civis ativos, hoje, é quase três vezes menor do que o necessário para atender às demandas do Estado. São 1.876 policiais civis nas ruas, mas deveriam ser pelo menos 5.600.


“Necessitamos urgentemente de concursos públicos anuais até que se preencha essa lacuna. Por enquanto, quem sofre é a própria população, porque não só à noite a gente vê as  delegacias, UIPPs e seccionais sem policiais porque não tem como um quadro tão reduzido atender a tudo”, declarou Farah. 


O vice-presidente do Sindpol denunciou que o Governo de Simão Jatene jamais apresentou indicativo de interesse em mudar esse cenário e, como consequência, a violência no estado só vem aumentando, inclusive considerando as mortes e agressões aos  próprios  policiais.


“A gente está falando de vidas e o governador nem ouve as demandas. Até quando vai continuar assim? É sempre a mesma desculpa de que não tem dinheiro para tomar medidas de segurança, mas tem dinheiro para viagem para a China, por exemplo,” ressaltou Farah, indignado.


SEM RESPOSTA


O DIÁRIO  entrou  em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) e solicitou um posicionamento em relação a denúncia do Sindpol em relação ao número de policiais civis na ativa no estado está muito abaixo do que deveria – o que traz diversas consequências à população. Entre elas não oferecer o atendimento apropriado nas delegacias. Até o fechamento desta edição não recebemos nenhuma resposta da Segup.


(Diário do Pará)

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