Mesmo no centro da cidade, Belém tem poucos locais para fazer uma agradável caminhada no início da manhã ou final da tarde. Um deles é o Museu Paraense Emílio Goeldi, entre as avenidas 9 de janeiro, Magalhães Barata, Gentil Bittencourt e Alcindo Cacela. Apesar de as visitas aos espaço serem maiores aos domingos, os entornos do Museu ficam movimentados durante toda a semana, com muitos transeuntes que por ali passam. Mas até nesse perímetro ninguém fica tranquilo, com medo da criminalidade.
Na manhã do último domingo (29), três carros estacionados na 9 de Janeiro foram arrombados por criminosos. O policial Flávio Brandão, 47, caminha por ali três vezes por semana e conta que já ouviu relatos de diversos assaltos nos entornos do Museu. Mesmo sendo membro da corporação, ele denuncia que falta policiamento efetivo nas redondezas da instituição, já que não há pessoal o suficiente para dar conta da demanda de toda a capital. “Um dia, estávamos caminhando e assaltaram duas mulheres na esquina da Magalhães Barata. Outra vez, assaltaram uma estudante na outra esquina do entorno do Museu”, diz.
PERIGO
Para a professora Ocilene Cavalléro, 50, a insegurança está por toda a Belém e falta investimento em segurança pública no estado. “Todos já vivem preocupados, a violência está em todo lugar em Belém”, acredita.
É o que pensa também o editor de livros Álvaro Jinkings, 59, que avalia ser a insegurança um problema complexo, cujas explicações vão além de policiamento. “Falta presença maior da polícia, sim, mas a gente vive num momento muito preocupante no país, onde vemos muita impunidade aos crimes e muita desigualdade social e tudo isso acaba refletindo no aumento da criminalidade”, explica. Para Jinkings, o estado está omisso desde as atenções de base, como saúde e educação, e a criminalidade é consequência disso.
(Alice Martins Morais/Diário do Pará)
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