O assalto a instituições de ensino está desenfreado na região metropolitana de Belém. Em pouco mais de um mês, o crime fez vítimas em creches, escolas de ensino fundamental, cursos técnicos e cursinhos preparatórios. Para completar a lista, assaltantes invadiram o Centro de Estudos Supletivos Luís Otávio Pereira, na noite de terça-feira (28) e levaram pertences pessoais de mais de 100 pessoas, dentre servidores e alunos. O local fica a poucos metros da Seccional Urbana da Polícia Civil de São Brás.
De acordo com uma das vítimas, a professora de história Silvana Borges, 38 anos, a invasão começou por volta das 21h, quando dois assaltantes, armados, renderam o porteiro e o conduziram à sala de aula que fica na entrada. Lá, estavam aproximadamente 30 professores e 60 alunos, que faziam as atividades do turno da noite.
“Eles anunciaram o assalto e levaram tudo que podiam das vítimas: relógios, carteiras, celulares e dinheiro, por exemplo”, relata a professora. Depois, ainda foram a outra sala, onde funciona a aplicação de avaliações e estavam mais 40 pessoas que foram assaltadas. Não há estimativa do total que foi roubado, mas nada do patrimônio da escola foi levado.

Os criminosos anunciaram o assalto e levaram tudo que podiam da vítimas. (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)
A dupla chegou a caminhar em direção a outra área do Centro de Estudos, onde também havia pelo menos 40 pessoas em aula, mas, felizmente, o professor responsável pela sala conseguiu perceber a movimentação estranha, desligou as luzes e falou para todos ficarem em silêncio. Assim, os assaltantes nem deram por conta que havia gente nesse corredor, deram meia volta e fugiram.
Além dos dois criminosos, mais dois fizeram parte do esquema e ficaram do lado de fora do Centro de Estudos Supletivos, de vigia - todos os quatro estavam de “cara limpa”. O centro educacional fica na avenida Gentil Bittencourt, esquina com Deodoro de Mendonça, São Brás. É responsável pela educação supletiva de jovens e adultos que buscam concluir de forma intensiva e prática o ensino fundamental e médio.
FALTA DE SEGURANÇA
Nos 15 anos em que Silvana trabalha na escola, nunca havia acontecido um assalto desse porte. No entanto, em março de 2013 um episódio marcou o histórico do Centro de Estudos Supletivos: um criminoso entrou na sala de aula e disparou vários tiros contra um professor, levando ainda o notebook dele. Apesar de até hoje estar a marca de uma bala na parede, não se sabe a motivação do ataque, que foi direcionado apenas a esse docente.

A professora Silvana Borges, que há 15 anos trabalha no local, mostra a marca da violência na parede do estabelecimento. (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)
Assustada com o assalto de terça-feira, a comunidade escolar está se mobilizando para protestar na manhã de hoje (30) em frente a Unidade Seduc na Escola (USE) da Escola Estadual Augusto Meira, pedindo ao Governo do Estado por mais segurança. A professora Silvana conta que a insegurança só piorou nos últimos anos.
“Antes, ainda ficava uma viatura aqui na esquina, hoje só temos como proteção vigias terceirizados que não portam armas”, enfatiza. O Centro de Estudos fica próximo a Seccional Urbana de São Brás, mas isso não impediu que fosse mais uma instituição de educação vítima de assalto nesse mês.

(Alice Martins Morais/Diário do Pará)
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