Diante de mais um episódio de assassinatos sequenciais, o promotor de Justiça Militar Armando Brasil explica que a origem dos projéteis balísticos que vitimaram as sete pessoas deve ser objeto de investigação pela Polícia Civil e Corregedoria da Polícia Militar do Pará. Entretanto, o promotor ressalta que ainda não existem evidenciais para tirar qualquer conclusão acerca dos crimes cometidos na última quinta-feira.
“Seria leviano dizer agora que são policiais que estariam envolvidos nisso. A Polícia Civil vai fazer os primeiros levantamentos e a Corregedoria da Polícia Militar também sempre atua quando há execuções em série, quando há um possível indício de participação de policiais. Porém, não há nada de concreto”, diz. O promotor acrescenta que o primeiro passo da investigação policial é fazer o recolhimento de cartuchos dos projéteis e, posteriormente, será feito um rastreamento para saber se eram munições da Polícia Militar.
SE MUNIÇÃO FOR DA POLÍCIA MILITAR, PROMOTORIA E CORREGEDORIA VÃO INSTALAR INQUÉRITO
O promotor Armando Brasil garante que se for constatado que as munições são da PM, “a Promotoria Militar e Corregedoria entram para investigar com a instauração de um inquérito Policial Militar para apurar como essa munição foi utilizada nesses crimes”. Segundo o promotor, o papel da Corregedoria é apurar a origem da munição e a quem pertence. Caso não seja confirmada a participação de policiais, será instaurado um inquérito policial comum.
Brasil explica que toda munição de calibre ponto 40 tem um código de rastreabilidade com o qual é possível descobrir para qual força a munição foi comercializada. O material é controlado pelo Exército Brasileiro e é de uso restrito das polícias. “Junto com a Polícia Civil, a Corregedoria Militar vai ao local para saber se essas munições eram ou não da Polícia Militar”. É feita a análise e uma primeira investigação. Constatando que é munição militar, ai será instaurado um inquérito policial militar.
“Mas para isso é preciso que haja o mínimo de indícios”, reforça. De acordo com Brasil, a Polícia Civil deve, neste momento, instaurar um inquérito policial para começar a ouvir testemunhas e a recolher filmagens de câmeras de segurança.
Depois será feito exame de necropsia dos cadáveres e o recolhimento de projéteis para analisar os fatos. A partir do recolhimento dos cartuchos, é feita uma investigação sobre o código de rastreabilidade da munição. Se for munição ponto 40, o Exército vai informar para quem foi vendido. “Toda munição de calibre ponto 40 só pode ser comercializada após a autorização do Exército Brasileiro. A munição recebe uma numeração e o Exército tem controle dessa munição e só autoriza a venda depois que a munição é cadastrada no sistema do Departamento de Produtos Controlados do Exército”, pondera.
CRONOLOGIA
Em apenas dois meses, 11 policiais militares foram assassinados no Pará, sendo o mais recente o caso do sargento Reginaldo da Silva Souza, alvejado a tiros na noite de quarta-feira (28) enquanto estava a serviço em Marituba. Com ele, já são três agentes de segurança pública assassinados em 3 dias no Estado.
Na última quinta-feira, dia 1º de março, 7 pessoas foram assassinadas com características semelhantes entre as 14h e as 22h. As execuções aconteceram após a morte do 3º sargento PM Reginaldo Silva de Souza, assassinado a tiros na Praça Matriz de Marituba, Região Metropolitana de Belém, na madrugada de quinta-feira.
(Pryscila Soares/Diário do Pará)
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