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ELEIÇÕES 2022

Avante retira candidatura de Janones e decide apoiar Lula

O candidato André Janones irá atuar na coordenação política, além de contribuir com o plano de governo de Lula.

quinta-feira, 04/08/2022, 23:35 - Atualizado em 04/08/2022, 23:35 - Autor: VICTORIA AZEVEDO/Folhapress

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A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (4) após o parlamentar se reunir com o ex-presidente, em São Paulo.
A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (4) após o parlamentar se reunir com o ex-presidente, em São Paulo. | ( Reprodução )

O deputado federal André Janones (Avante-MG) desistiu de sua candidatura à Presidência para apoiar já no primeiro turno o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida eleitoral. Em transmissão em rede social, Janones afirmou: "estamos juntos agora". A decisão foi anunciada nesta quinta-feira (4) após o parlamentar se reunir com o ex-presidente, em São Paulo.

Após a reunião, a presidente nacional do PT, deputada federal Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que o Avante e o Agir (antigo PTC) irão apoiar a candidatura de Lula. Com isso, a coligação agora terá nove partidos: PT, PSB, PSOL, Rede, PV, PC do B, Solidariedade, Avante e Agir. "Isso é muito importante para o movimento que estamos fazendo de defesa da nossa democracia e do nosso povo", afirmou Gleisi.

Ainda segundo Gleisi, Janones irá atuar na coordenação política, além de contribuir com o plano de governo. A parlamentar disse também que ele se dispôs a ajudar com as redes sociais -Janones é considerado um fenômeno nas redes.

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O ex-presidente Lula disse que pela convergência das pautas defendidas entre sua campanha e Janones, entre elas a do auxílio de R$ 600 e atenção para a saúde mental, "fica fácil fazer aliança". "A vinda do Janones e do Avante para a nossa campanha é como o ditado popular que diz 'juntamos a fome com a vontade de comer'", disse. "Quero te dar os parabéns pela tua nobreza de colocar esse tema da fome como um tema principal. Pode ficar certo que juntos vamos acabar com a fome nesse país", seguiu Lula.

Luis Tibé, presidente nacional do Avante, afirmou que a democracia brasileira está "correndo risco" e que o governo atual é "muito irresponsável". "Essa unidade representa isso: o Janones com sua grandeza de abrir mão da sua candidatura para lutar pelas pessoas que ele mais defende, que são as pessoas mais pobres desse país."

Janones afirmou que sua candidatura seguirá agora representada por Lula e que não medirá esforços para ajudar na campanha. "Trabalharei diuturnamente para que a gente possa salvar a democracia no nosso país." "A frente ampla que alguns setores, principalmente da elite brasileira, tanto alardeou. Para alegria de alguns e tristeza de outros, essa frente ampla se consolida no dia de hoje, unindo o operário migrante nordestino com o filho da doméstica cobrador de ônibus", continuou o deputado.

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A ampliação do arco de alianças, além de contribuir com os tempos de propaganda eleitoral em rádio e TV, é vista como relevante para os petistas em meio à tentativa de buscar uma eleição de Lula sem depender do segundo turno.

Por outro lado, o apoio do Pros, que foi anunciado na quarta (3), virou incerteza após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) alterar decisão da própria corte e trocado de novo a direção da legenda. Com isso, volta ao comando da legenda Marcus Holanda, que bancou a candidatura presidencial do coach motivacional Pablo Marçal, e deixa o posto o seu fundador, Eurípedes Jr., que havia anunciado o apoio a Lula. ​Ainda cabem recursos.

A divisão oficial do tempo de televisão na campanha será informada nas próximas semanas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Pela lei, esse tempo é distribuído de acordo com a força partidária de cada candidato, que leva em conta a coligação formada ao seu redor.

Com a chegada do Avante na coligação, a sigla deverá acrescentar tempo de TV ao petista se o Pros não homologar a decisão de se juntar à chapa. Isso porque só contam para o cálculo da televisão as seis maiores legendas. Caso o Pros não se alie ao ex-presidente, o Avante seria a sexta maior legenda da coligação e acrescentaria pouco cerca de 20 segundos por dia na propaganda de rádio e TV.

​​Janones afirmou na live que Lula decidiu encampar a ideia do auxílio emergencial de R$ 600, uma das bandeiras do mandato do deputado. "O Lula está encampando também essa luta, junto conosco, com a nossa candidatura, que neste momento a gente retira. Ela está unificada e passa a ser representada pela candidatura do presidente Lula", afirmou Janones.

O deputado criticou o governo Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que sua proposta e de Lula em relação ao auxílio emergencial é antiga e não é elaborada pensando somente no período eleitoral. "Eu jamais me aliaria àqueles que utilizam a fome dos mais pobres, dos mais necessitados, como moeda eleitoral, como foi feito pelo atual governo." Janones disse ainda que Lula irá absorver também outras de suas propostas, como uma relacionada a mães solos e a criação de uma secretaria de saúde mental.

Participaram do encontro o presidente nacional do Avante, Luis Tibé, o presidente do Agir, Daniel Tourinho, o ex-governador Geraldo Alckmin, vice de Lula, e representantes da campanha petista, entre eles o ex-ministro Aloizio Mercadante, coordenador do plano de governo, Edinho Silva e Rui Falcão, coordenadores de comunicação da campanha.

De olho no potencial de mobilização nas redes sociais de Janones, a campanha do petista já havia sinalizado que acataria propostas do deputado no plano de governo. O presidenciável já havia indicado que poderia retirar a candidatura caso suas propostas fossem incluídas na pauta de outros candidatos ao Palácio do Planalto. O grupo que debate o plano de governo de Lula também se reunirá com a equipe de Janones para alinhar as propostas.

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