No segundo dia de agenda política em Belém, o candidato à presidência da república, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou na manhã desta sexta-feira (2) do “Encontro dos Povos da Floresta e das Águas”, no Parque do Igarapés, no bairro do Coqueiro. O compromisso reuniu representantes de comunidades indígenas, quilombolas, grupos de religião de matriz africana, sindicatos, representantes de entidades ligadas à educação, ciência e tecnologia, entre outros movimentos sociais que apresentaram seus pedidos ao petista.
Antes de iniciar as falas, os convidados fizeram um minuto de silêncio em memória do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, que foram assassinados na região do Vale do Javari, no Amazonas, em junho deste ano. A melhoria no controle de demarcações de terras, respeito à expressão religiosa e o fortalecimento de órgãos e leis de proteção da Amazônia e seus povos que ali vivem, foram os temas debatidos durante o encontro.

A viúva do indigenista Bruno Pereira, Beatriz Matos, que esteve também presente no evento, discursou sobre a importância de manter a proteção da vida e da cultura dos povos tradicionais. “Para mim, a principal homenagem ao Bruno, o maior legado dele, é garantir o direito dos povos indígenas isolados para os quais ele deu a vida. Para isso, é preciso manter a política da não-contato, fortalecer a FUNAI, as bases de proteção etnoambiental e demarcar as terras”, disse Beatriz, destacando que a política para os isolados deve ser baseada no conhecimento técnico e científico.
Candidato ao maior cargo representativo na política, Lula disse que em seu governo muito mais será feito em prol daqueles que ficaram esquecidos e desamparados de políticas públicas pelo atual governo federal. “Não sei se tenho a grandeza para representar os povos da floresta. Mas posso dizer a vocês que só tem uma razão para eu voltar a ser candidato: é fazer mais do que eu fiz no meu primeiro mandato. Por isso, eu tenho dito que as pessoas precisam se preparar, porque vamos criar o Ministério dos Povos Indígenas”, afirmou.

Lula também falou sobre os projetos durante seu último governo que permitiram a capacitação e avanço no âmbito da educação das comunidades tradicionais que agora podem exercer cargos e cuidar dos povos amazônicos. “Vocês sabem de uma coisa? O presidente da Funai não precisa ser um homem branco igual a mim, pode ser indígena! Temos uma enorme quantidade de médicos formados e que são indígenas. Eles próprios podem cuidar da saúde indígena”, declarou.
O candidato pelo partido dos trabalhadores se despediu do público por volta das 11h30, mas lamentou o pouco tempo que teve ao lado dos representantes e disse que adoraria descer para cumprimentar e abraçar cada pessoa que esteve no encontro. De Belém, o ex-presidente e atual candidato novamente ao cargo nas eleições de 2022 seguiu para o estado do Maranhão.

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar