O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil não deve aceitar o tratamento adotado pelos Estados Unidos nas negociações comerciais entre os dois países. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o mandatário disse que, caso o mercado norte-americano reduza as compras de produtos brasileiros, o governo buscará alternativas em outros países.
“Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, declarou o presidente ao comentar a proposta norte-americana de ampliar tarifas sobre determinados produtos brasileiros.
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A medida em discussão nos Estados Unidos prevê a aplicação de tarifas que podem chegar a 37,5% sobre alguns itens exportados pelo Brasil. O governo brasileiro avalia que o sistema de pagamentos Pix está entre os principais pontos citados pelo relatório que embasa a proposta.
Críticas à condução das negociações
Lula também criticou a forma como o governo do presidente Donald Trump tem conduzido as tratativas comerciais. Segundo ele, o Brasil tem mantido diálogo com os Estados Unidos desde os primeiros anúncios sobre possíveis mudanças tarifárias.
O presidente afirmou que pretende enviar uma nova carta ao governo norte-americano para contestar os argumentos apresentados na proposta. Ele também disse ter ficado surpreso com o rumo das negociações após encontro recente com Trump na Casa Branca.
“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento com os Estados Unidos”, afirmou.
Ataques a Marco Rubio e defesa da soberania
Durante a reunião, Lula voltou a criticar o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, a quem atribuiu posicionamentos contrários aos interesses da América Latina e do Brasil.
O presidente também afirmou que o país deve defender sua soberania diante das pressões externas e criticou adversários políticos que, segundo ele, estariam atuando contra os interesses nacionais no debate sobre as tarifas.
Debate será levado ao G7
Lula informou ainda que pretende levar o tema à cúpula do G7, marcada para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, na França. Embora o Brasil não integre o grupo das maiores economias industrializadas do mundo, o presidente participará do encontro como convidado.
A reunião ministerial desta quarta-feira foi a primeira com a presença dos novos integrantes da equipe de governo após as recentes mudanças no primeiro escalão.
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