O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes criticou a atuação de influenciadores digitais e afirmou que parte deles contribui para desacreditar a imprensa tradicional. A declaração ocorreu nesta segunda-feira (24), durante uma cerimônia no Tribunal de Contas do Município de São Paulo (TCM-SP).
Durante a palestra, Moraes afirmou que alguns influenciadores comentam sobre diferentes assuntos sem, segundo ele, terem conhecimento suficiente sobre os temas.
“Hoje, o influencer, que ninguém nunca ouviu falar, o pessoal não tem a mínima ideia do que tá falando, fala da Guerra na Ucrânia até a derrota lamentável do Corinthians para o Coritiba ontem”, declarou.
O ministro também afirmou que alguns desses criadores alcançam audiência superior à de telejornais e associou o fenômeno ao enfraquecimento da confiança na mídia tradicional.
Moraes fala sobre redes sociais e algoritmos
Durante o evento, Moraes também abordou o impacto das redes sociais no comportamento dos eleitores. Segundo o ministro, durante campanhas eleitorais, os cidadãos podem ser tratados pelas plataformas como consumidores, enquanto candidatos seriam apresentados como “produtos a serem vendidos”.
Moraes afirmou ainda que as chamadas big techs utilizam algoritmos para identificar características e interesses dos usuários e direcionar conteúdos a determinados grupos.
Na avaliação do ministro, esse mecanismo pode contribuir para a formação de bolhas de informação e para a disseminação de conteúdos políticos direcionados.
Ministro defende volta da exigência de diploma para jornalistas
As declarações sobre influenciadores ocorrem poucos dias depois de Moraes defender, ao lado do ministro Flávio Dino, que o STF volte a discutir a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
A exigência foi derrubada pelo Supremo em 2009. O tema voltou a ser mencionado durante julgamento na Primeira Turma do STF envolvendo um direito de resposta concedido a uma clínica médica que havia sido alvo de reportagem da TV Globo sobre denúncias de abusos sexuais.
Ao devolver um pedido de vista no processo, Moraes afirmou que a decisão de 2009 tornou mais complexo o debate sobre as garantias da imprensa, especialmente diante da expansão das redes sociais.
O ministro disse respeitar o entendimento anterior da Corte, mas defendeu uma nova análise sobre a necessidade de formação profissional para o exercício do jornalismo.
“Está na hora de refletirmos sobre a questão do diploma de jornalismo”, afirmou Moraes. Segundo ele, o crescimento das redes sociais permite que qualquer pessoa se apresente como jornalista e utilize a liberdade de imprensa para publicar conteúdos que podem atingir a honra de terceiros.
Debate ocorre em meio a investigação no Maranhão
O debate sobre a atuação de jornalistas e a liberdade de imprensa ocorre também em meio a uma investigação envolvendo o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, no Maranhão.
Uma operação de busca e apreensão determinada por Moraes teve Cutrim como alvo. Ele é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo, do Maranhão.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar