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DIFICULDADE

Trabalhadores de cooperativas de reciclagem precisam de doações

Com a queda no recolhimento e venda do material reciclável, esses trabalhadores passam por grandes dificuldades financeiras. Veja como ajudar algumas dessas cooperativas!

domingo, 19/04/2020, 08:33 - Atualizado em 19/04/2020, 08:33 - Autor: Alexandra Cavalcanti

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Estamos praticamente parados porque não temos como recolher esse material na casa das pessoas como fazíamos antes”.
Hermano Melo, representante da Cooperativa SOS Reciclagem.
Estamos praticamente parados porque não temos como recolher esse material na casa das pessoas como fazíamos antes”. Hermano Melo, representante da Cooperativa SOS Reciclagem. | Irene Almeida

Mesmo com a pandemia do coronavírus, o trabalho das cooperativas de reciclagem não para. Essa continua sendo a única fonte de renda de centenas de famílias, que vivem na Região Metropolitana de Belém (RMB), pelo menos até que elas possam receber o auxílio emergencial federal de R$ 600, que têm direito pela situação de vulnerabilidade social, mas que nenhum dos entrevistados nesta reportagem ainda recebeu.

Obter essa ajuda é a expectativa de Hermano Melo, representante da Cooperativa SOS Reciclagem e de mais três famílias que fazem parte dela. Isso porque desde que a pandemia da Covid-19 chegou ao Estado, eles viram a quantidade de recicláveis diminuir consideravelmente. “Estamos praticamente parados porque não temos como recolher esse material na casa das pessoas como fazíamos antes, porque essa acabou se tornando uma atividade de risco, por conta da possibilidade de contaminação pela Covid-19, porque muitas pessoas continuam descartando no lixo comum, sem nenhum cuidado, máscaras e luvas usadas”, diz.

Além disso, eles estão sentindo dificuldade para vender o pouco material que recebem. “Ainda recebemos papelão, papel e garrafas plásticas, mas o valor pago por eles caiu muito, deixando as pessoas sem condições de manter suas famílias”, destaca.

Para sobreviver, Hermano conta que as famílias estão recebendo doações, que são deixadas para as famílias na sede da cooperativa, na avenida Avertano Rocha. No local, podem ser deixados tanto materiais recicláveis, quanto cestas básicas e material de limpeza.

Na Cooperativa de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis Visão Pioneira de Icoaraci (Cocavip), a situação não é muito diferente. A presidente da entidade, Nádia Luz, que também é representante do Movimento Nacional dos Catadores do Estado do Pará, explica que 70 famílias integram a cooperativa e, após a pandemia, o número de colaboradores diminui bastante. “Muitas mães não estão podendo trabalhar na cooperativa porque, com as creches fechadas, não têm com quem deixar os filhos. Outros três integrantes acabaram afastados por terem mais de 60 anos e fazerem parte do grupo de risco”, conta.

Com isso e com a queda do próprio material reciclado recebido e colhido, a situação econômica dos cooperados ficou bem difícil. “Este mês conseguimos montar cestas básicas para as famílias e material de limpeza. Mas ainda estamos precisando de doações porque não estamos conseguindo vender uma boa parte do material reciclável que ainda recebemos”, diz.

Outra preocupação da presidente da Cocavip refere-se aos cuidados para prevenir a contaminação do material reciclável colhido e recebido. “Estamos fazendo uma seleção minuciosa. Tudo o que chega fica guardado por cerca de três dias (tempo que o vírus permanece em algumas superfícies). Só depois disso, fazemos a triagem e a higienização para que possamos trabalhar com eles”, explica.

Mesmo com todo o cuidado, ela conta que é comum encontrar no meio do material reciclável, máscaras e luvas. “Fazemos um apelo para que as pessoas não descartem de qualquer forma esse tipo de material no lixo comum, porque eles não são recicláveis”, ressalta.

Assim como na SOS Reciclagem, os integrantes da Cocavip também aguardam pela liberação do auxílio emergencial. “A situação está muito complicada porque alguns membros da cooperativa têm famílias grandes, que infelizmente não conseguem se manter apenas com uma cesta básica por mês. Por isso, pedimos que as pessoas olhem por nós e nos ajudem”, disse.

Ainda estamos precisando de doações porque não estamos conseguindo vender uma boa parte do material reciclável que ainda recebemos”.
Nádia Luz, presidente da Cocavip.
Ainda estamos precisando de doações porque não estamos conseguindo vender uma boa parte do material reciclável que ainda recebemos”. Nádia Luz, presidente da Cocavip. | Irene Almeida
 

Serviço

Quem puder ajudar com doação de alimentos e material de higiene para as cooperativas pode entrar em contato diretamente: SOS Reciclagem (Hermano Melo: 91 98260-4614 - Rua Avertano Rocha, 121, esquina da Av. 16 de Novembro) e Cocavip (Nádia da Luz: 91 99170-2977 - final da Rua 8 de Maio, Icoaraci, ao lado Corpo de Bombeiros e da delegacia).

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