Já tem quase dois anos que Cleberson Cordeiro, 45 anos, trabalha com a entrega de lanches por aplicativo. Quando começou, estava cadastrado somente numa única plataforma digital e o que ganhava era suficiente para conseguir manter os custos e ter lucro. Atualmente ele faz a entrega de alimentos para três aplicativos diferentes e tem tido dificuldades para conseguir equilibrar as finanças. “No fim do mês eu coloco tudo na ponta do lápis. Preciso separar valores para a manutenção da motocicleta, gastos com combustível e, claro, o meu lucro. Mas já faz tempo que essa conta não tem fechado de forma justa por causa do que eu gasto com gasolina”, disse o entregador.
Mesmo usando um veículo que seria mais, uma motocicleta, os sucessivos reajustes no preço da gasolina se tornaram a atividade dele onerosa para ser mantida. “O valor das taxas de entrega é relativamente baixo, então para que a gente tenha um faturamento a gente precisa ‘rodar’ bastante, mas isso vem acrescido de mais gasolina, que está cada vez mais cara”, disse.
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Segundo pesquisa que o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA) divulgou no último final de semana, o preço do litro da gasolina nos postos de combustíveis de Belém aumentou 40,11% no período de julho de 2020 a julho de 2021. Este percentual é quatro vezes maior que a inflação registrada no período, que foi de 9,5% (INPC/IBGE). Há um ano, o litro de combustível era comercializado a R$ 4,15, em média. No mês passado, chegou ao preço médio de R$ 5,81 nas bombas.
SUBIDA
O motorista Cleber Santos, 47, disse que tem optado por sair de ônibus ultimamente e deixar o carro mais tempo em casa, recorrendo a ele somente quando necessário. “Sair com o carro, hoje, só se for uma necessidade”, frisou. “Hoje eu só saí com ele porque precisava justamente abastecer o tanque de combustível antes que a gasolina suba de preço novamente”, comentou.
Somente este ano, a Petrobras alterou dez vezes o preço dos combustíveis nas refinarias, sendo oito dessas variações sendo reajustes. Ou seja, de janeiro a julho, a gasolina subiu de preço oito vezes. Em janeiro de 2021, o litro da gasolina nas bombas dos postos de combustíveis custava, em média, R$ 4,69, segundo o Dieese/PA. Se considerar apenas as oito altas acumuladas este ano no preço da gasolina, constata-se que o reajuste foi de 29,14%
Segundo a tabela de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgada ontem (9), atualmente a gasolina é comercializada, em média, a R$ 5,85, o litro. Mas este valor pode chegar a R$ 5,99 e ultrapassar a faixa dos R$ 6, se for paga no cartão de crédito.

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