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Prematuridade: complicações e cuidados para o bebê e mãe

Especialistas do Materno-Infantil de Barcarena esclarecem dúvidas e dão dicas de prevenção na gravidez e cuidados após o parto.

sexta-feira, 04/06/2021, 11:20 - Atualizado em 04/06/2021, 11:20 - Autor: Com informações da assessoria


O Brasil está entre os 10 países com o maior número de nascimentos prematuros.
O Brasil está entre os 10 países com o maior número de nascimentos prematuros. | Divulgação

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), um em cada dez bebês nascidos vivos nasce prematuramente, ou seja antes de completar 37 semanas de gestação. A cada ano, são cerca de 15 milhões de prematuros no mundo.

O Brasil está entre os 10 países com o maior número de nascimentos prematuros. Anualmente, cerca 360 mil crianças nascem prematuramente no país, com base nos dados da Sociedade Brasileira de Pediatria.

De acordo com a Dra. Salma Saraty, pediatra e coordenadora da equipe médica da neonatologia no Hospital Materno-Infantil de Barcarena Dra. Anna Turan HMIB (HMIB), unidade gerenciada pela Pró-Saúde no interior paraense, os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer. O hospital é referência para gestantes de alto risco de 11 municípios da região do Baixo Tocantins.

“Há o prematuro tardio, aquele nascido até 36 semanas e 6 dias; o prematuro moderado, nascido entre 29 e 34 semanas; e o prematuro extremo, com idade gestacional menor que 28 semanas”, destaca.

“Quanto ao peso de nascimento, denomina-se os bebês com menos de 2.500g como baixo peso; os com menos de 1,5kg, muito baixo peso; e aqueles com peso menor que 1kg, extremo baixo peso”, complementa Salma.

Principais causas e riscos para mãe e bebê

Segundo dra. Salma, nem sempre um parto prematuro dá sinais de que vai acontecer, mas há algumas causas que levam a este desfecho, como por exemplo, as mulheres que já passaram por um parto prematuro anteriormente, que estão grávidas de gêmeos ou múltiplos e com histórico de problemas de colo do útero”, ressalta.

Ainda entre as principais causas estão, “infecção do trato urinário, infecções uterinas e congênitas, síndrome hipertensiva na gravidez e descolamento prematuro da placenta", complementa a pediatra. Todas com possibilidade de detecção e cura no pré-natal.

De acordo com a profissional, a prematuridade também se associa a estilo de vida e que podem ser previamente controlados na mãe: hipertensão, diabetes, uso de álcool, drogas e cigarro. “O cuidado vem antes. Por exemplo, uma paciente com diabetes mal compensado possui dez vezes mais riscos de alterações na gestação que a diabética com quadro estável”, compara Salma.

Para os bebês, as complicações também são diversas, podendo ocorrer desconforto, problemas respiratórios e doenças pulmonares. Dependendo da idade gestacional, é possível acontecer sangramento pulmonar e/ou cerebral, infecções recorrentes por conta da baixa imunidade e atraso no desenvolvimento neuromotor”, explica a médica.

Cuidados intensivos para os bebês

Nataliel Miranda, coordenador de enfermagem do HMIB, ressalta que as possibilidades de sobrevida do prematuro estão condicionadas pela idade gestacional, o peso ao nascer e pelas complicações que o bebê prematuro apresenta. “De todos estes fatores, o mais importante é a idade gestacional, uma vez que esta determina a maturidade dos órgãos”, pontua.

No HMIB, os pacientes prematuros são atendidos em Unidade de Terapia Intensiva neonatal (UTIN) e de Cuidados Intermediários (UCIN), de acordo com as suas especificidades. “A partir do quadro clínico, iniciamos as condutas terapêuticas e o plano de cuidado, garantindo o início da dieta precoce, com foco na prevenção de complicações", explica o coordenador.

“Dentro do processo assistencial, dispomos de protocolos, como o de manuseio mínimo, colostroterapia e oferta de oxigênio alvo, de acordo com o projeto Coala, bem como, o controle térmico dos neonatos extremos prematuros. Na UTI, esses tratamentos variam de acordo com a necessidade de cada bebê”, complementa.

A importância do pré-natal durante a gravidez

De acordo com a neonatologista Salma, grande parte dos partos prematuros podem ser evitados com um acompanhamento profissional durante a gestação, realizando todos os exames e consultas durante o pré-natal, com acesso a uma assistência de qualidade e um acolhimento humanizado.

“Por meio do acompanhamento, a mãe pode ter mais segurança, pois o profissional vai entender o histórico dela, identificar possíveis complicações, doenças, e atuar na prevenção da prematuridade. Quanto antes o pré-natal for iniciado, melhor para a mãe e para o desenvolvimento do bebê” afirma.

A dica da médica é simples: se preparar com antecedência e buscar informações assim que descobrir a gravidez. “O acompanhamento médico deve ser regular e com qualidade. Se a gestante não faz exames laboratoriais, não vacina, não tem peso e pressão mensurados, o processo fica comprometido”, exemplifica. Outras recomendações são evitar um estilo de vida estressante e ganho excessivo de peso na gestação.

Com um atendimento 100% gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o Materno-Infantil de Barcarena já realizou mais de 3,5 mil partos e cerca de 165 mil atendimentos em mais de dois anos de funcionamento, entre consultas, internações, exames e cirurgias. Desde a sua inauguração pelo Governo do Pará, a unidade é gerenciada pela Pró-Saúde, uma das maiores instituições na gestão hospitalar do País.

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