O avanço no uso de canetas emagrecedoras para tratar obesidade e diabetes acendeu um sinal de alerta entre autoridades de saúde. Investigações em curso apontam para possíveis casos de pancreatite associados a esses medicamentos, especialmente quando utilizados sem indicação médica ou acompanhamento adequado, levantando preocupações sobre segurança, riscos e uso indiscriminado.
A apuração de episódios de pancreatite, incluindo mortes suspeitas, em pessoas que utilizaram canetas para emagrecimento e controle do diabetes levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a emitir um alerta à população. O foco está nos perigos do uso desses fármacos fora das recomendações oficiais e sem supervisão profissional.
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No Brasil, a Anvisa investiga seis óbitos suspeitos e mais de 200 notificações de alterações no pâncreas em pacientes que faziam uso de medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro. Embora os registros ainda não comprovem uma relação direta de causa e efeito, o crescimento no número de relatos motivou a manifestação da agência reguladora.
Especialistas explicam que diversos fatores podem estar relacionados aos casos em análise. Entre eles está o perfil dos usuários, em geral pessoas com obesidade, diabetes ou ambas as condições, que já apresentam maior predisposição a doenças pancreáticas. Além disso, as próprias bulas dos medicamentos alertam para o risco de formação de cálculos na vesícula biliar, condição que pode desencadear pancreatite.
Outro ponto de atenção é a perda de peso acelerada, efeito comum dessas canetas, que favorece o surgimento de cálculos biliares. Soma-se a isso o impacto dos medicamentos no sistema digestivo, já que eles retardam o esvaziamento do estômago e alteram o metabolismo dos ácidos biliares, interferindo no funcionamento do pâncreas.
O uso sem prescrição médica agrava ainda mais o cenário, pois pode levar a doses inadequadas e dificultar a identificação precoce de efeitos adversos. A circulação de canetas falsificadas ou de origem irregular também preocupa, já que impede saber exatamente qual substância está sendo aplicada e em que quantidade, ampliando os riscos à saúde.
A atenção sobre o tema ganhou força após um alerta do Reino Unido, onde 19 mortes foram associadas ao uso dessas canetas. Apesar de raros, os casos foram graves, incluindo quadros de pancreatite necrosante e fatal, segundo a agência reguladora britânica.
De acordo com especialistas, a pancreatite é uma inflamação potencialmente grave do pâncreas, órgão responsável por funções essenciais da digestão e pela produção de hormônios como a insulina. No Brasil, as causas mais frequentes continuam sendo o consumo excessivo de álcool e a presença de cálculos na vesícula biliar, mas o cenário de obesidade e diabetes amplia o número de casos no país.
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Diante disso, a Anvisa reforça a orientação para que o uso das canetas ocorra exclusivamente dentro das indicações aprovadas, com prescrição e acompanhamento médico. Em casos de suspeita de inflamação no pâncreas, a recomendação é suspender imediatamente o tratamento e buscar avaliação especializada.
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