Depois de dias intensos de blocos, desfiles e festas que atravessam a madrugada, a conta costuma chegar sem aviso. O que era euforia vira cansaço extremo; a animação dá lugar à dor de cabeça, ao corpo dolorido e à indisposição. No entanto, nem todo mal-estar após o Carnaval é apenas consequência do excesso de bebida — em alguns casos, pode ser sinal de que algo mais sério está acontecendo.
Segundo o infectologista Hareton Teixeira Vechi, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a duração dos sintomas é um dos principais sinais de alerta. A chamada ressaca alcoólica, explica o médico, geralmente dura entre 24 e 48 horas.
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“Quando os sintomas persistem além desse período ou pioram gradativamente, mesmo dentro dessa janela de tempo, é importante procurar atendimento médico. Pode não ser apenas uma ressaca, mas uma intoxicação mais grave ou até um quadro infeccioso que exige avaliação”, afirma.
Álcool e queda da imunidade
O especialista destaca que o consumo excessivo de álcool compromete as barreiras naturais de defesa do organismo, como a barreira gastrointestinal, além de afetar o funcionamento de células importantes do sistema imunológico, como linfócitos T e B, neutrófilos e macrófagos.
Somado a isso, as grandes aglomerações típicas do Carnaval facilitam a transmissão de vírus e bactérias. O resultado é um cenário propício para o surgimento de infecções logo após a folia.
Quando não é só ressaca
Entre as doenças mais comuns nesse período estão as infecções respiratórias transmitidas por gotículas, como gripe, resfriado comum e Covid-19, além de quadros como mononucleose infecciosa e citomegalovirose.
O problema é que muitos sintomas dessas enfermidades podem ser confundidos com os efeitos do álcool, já que ambos provocam mal-estar generalizado, dor no corpo e indisposição. No entanto, sinais como febre persistente, coriza intensa, dor de garganta e piora progressiva do quadro indicam que pode haver uma infecção viral.
Atenção às ISTs
O alerta também se estende às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia, clamídia e cancro mole. Algumas delas podem provocar febre e dores no corpo poucos dias após a exposição, o que pode ser erroneamente atribuído à ressaca.
Atualmente, existem estratégias de prevenção que reduzem o risco de infecção, como a profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), a profilaxia pós-exposição ao HIV (PEP) e a profilaxia pós-exposição com doxiciclina (DoxyPEP). Pessoas que tiveram relações sexuais sem preservativo, múltiplos parceiros ou que se considerem em situação de maior vulnerabilidade devem procurar atendimento médico.
No caso da PEP para HIV, o tratamento precisa ser iniciado em até 72 horas após a exposição para ter eficácia.
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Sinais de que é hora de procurar ajuda
Procure avaliação médica se houver:
- Febre persistente
- Piora dos sintomas após 48 horas
- Dor intensa na garganta ou dificuldade para engolir
- Tosse com secreção espessa
- Manchas ou feridas na região genital
- Mal-estar que não melhora com hidratação e repouso
Depois de quatro dias de festa, é esperado que o corpo peça descanso. Mas se o organismo continuar “cobrando a conta” por mais tempo do que o habitual, o melhor é não insistir no diagnóstico de ressaca. Em alguns casos, o que parece apenas excesso pode ser o primeiro sinal de que a saúde precisa de atenção.
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