Você já sentiu, durante uma crise de ansiedade, uma vontade quase incontrolável de mexer na própria pele? Para algumas pessoas, esse impulso vai além de um hábito ocasional e se torna um transtorno psiquiátrico conhecido como dermatilomania.
A influenciadora Giulia Costa, de 25 anos, filha da atriz Flávia Alessandra, revelou recentemente que convive com o distúrbio. O relato trouxe visibilidade a uma condição ainda pouco discutida, mas que afeta entre 3% e 5% da população mundial.
O que é dermatilomania?
A dermatilomania, também chamada de transtorno de escoriação, é caracterizada pelo impulso recorrente e compulsivo de cutucar, beliscar ou ferir a própria pele, causando lesões. O comportamento costuma surgir como uma tentativa de aliviar tensão, ansiedade ou desconforto emocional.
O transtorno foi oficialmente reconhecido como diagnóstico psiquiátrico em 2013 pela American Psychiatric Association (APA), passando a integrar o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5).
Apesar de relativamente comum, a condição ainda passa despercebida pelos profissionais e pelo próprio paciente. Estima-se que apenas metade das pessoas receba diagnóstico adequado, muitas vezes por desconhecimento ou vergonha de procurar ajuda especializada. Cerca de 80% dos casos diagnosticados ocorrem em mulheres. Embora o início seja mais frequente na adolescência, o transtorno pode surgir em qualquer fase da vida, especialmente em períodos de sofrimento emocional intenso.
O relato de Giulia Costa
Por meio das redes sociais, Giulia contou que crises de ansiedade a levaram a provocar ferimentos profundos nas mãos. Segundo ela, a dificuldade de controlar o comportamento se intensificou em momentos de maior vulnerabilidade emocional, funcionando como uma tentativa inconsciente de aliviar a tensão interna.
Pessoas com dermatilomania costumam utilizar as próprias mãos ou objetos, como pinças e tesouras, para remover supostas “imperfeições”, como cravos, espinhas, crostas ou pequenas irregularidades na pele.
A ligação entre pele e emoções
Existe uma conexão direta entre o sistema nervoso e a pele. Ambos têm a mesma origem embrionária, o que ajuda a explicar por que questões emocionais frequentemente se manifestam por meio de sintomas cutâneos. Estima-se que cerca de 30% dos pacientes atendidos em consultórios dermatológicos apresentem algum componente emocional associado às queixas de pele.
O hábito repetitivo de cutucar gera um ciclo difícil de romper: após o alívio momentâneo, surgem sentimentos de culpa, vergonha e baixa autoestima. Muitas pessoas passam a esconder as lesões e podem se tornar mais reclusas devido aos danos visíveis.
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Como é feito o tratamento?
O tratamento da dermatilomania deve ser multidisciplinar, envolvendo dermatologistas, psiquiatras e psicólogos. O objetivo é tratar simultaneamente as lesões físicas e as causas emocionais que sustentam o comportamento.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada a abordagem com melhores resultados. Ela trabalha a identificação de gatilhos emocionais e ambientais, além da substituição do impulso por comportamentos mais saudáveis por meio de técnicas de reversão de hábitos.
Em alguns casos, o psiquiatra pode avaliar a necessidade de medicação para auxiliar no controle da ansiedade ou de transtornos associados.
Estratégias que podem ajudar no dia a dia
Algumas medidas práticas podem auxiliar na redução do comportamento:
- Manter as unhas curtas e bem lixadas para diminuir o impacto ao tocar a pele;
- Utilizar curativos ou esparadrapos nas pontas dos dedos ou sobre as lesões;
- Evitar o uso de espelhos por longos períodos, quando este for um gatilho;
- Praticar técnicas de respiração consciente, meditação e exercícios de relaxamento para controlar a ansiedade;
- Manter as mãos ocupadas com objetos como bolas antiestresse ou atividades manuais.
Dar visibilidade ao tema é fundamental para reduzir o estigma e incentivar a busca por ajuda. A dermatilomania tem tratamento, e o acompanhamento adequado pode melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
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