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SURTO EM CRUZEIRO

Hantavírus: como a doença se manifesta e como é transmitida

Surto em navio da Oceanwide Expeditions deixou 7 mortos e reacendeu debate sobre a cepa Andes, única variante do hantavírus capaz de transmissão entre humanos.

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Imagem ilustrativa da notícia Hantavírus: como a doença se manifesta e como é transmitida camera Especialistas explicam como o hantavírus age no organismo e por que ambientes fechados favorecem a transmissão da cepa Andes. | Reprodução/Unsplash

O silêncio gelado das águas do Atlântico Sul, quebrado apenas pelo ruído constante dos motores de um cruzeiro de expedição, transformou-se em cenário de tensão sanitária internacional. O que deveria ser uma viagem de contemplação por ilhas remotas e paisagens extremas acabou marcado pelo avanço silencioso de uma doença rara e letal. O surto de hantavírus registrado a bordo de um navio da empresa Oceanwide Expeditions mobilizou especialistas, levantou alertas globais e reacendeu memórias recentes de crises epidemiológicas em ambientes confinados.

Ao longo da travessia iniciada em Ushuaia, na Argentina, passageiros começaram a apresentar sintomas respiratórios graves. O episódio resultou em sete mortes e colocou novamente o hantavírus no centro das discussões médicas e sanitárias. Especialistas destacam, no entanto, que o cenário não indica uma ameaça semelhante à pandemia de COVID-19, apesar das características incomuns da variante envolvida no caso.

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VARIANTE RARA PERMITIU TRANSMISSÃO ENTRE PASSAGEIROS

De acordo com o infectologista Alberto Chebabo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o vírus identificado no navio pertence à cepa Andes, considerada a única variante conhecida do hantavírus com capacidade de transmissão entre seres humanos.

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Segundo o especialista, a maior parte das 38 espécies conhecidas da doença é transmitida pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores silvestres. A cepa andina, porém, possui comportamento diferente e pode se espalhar por via respiratória em situações específicas.

Apesar disso, Chebabo ressaltou que a transmissão exige contato próximo e prolongado entre pessoas, sobretudo em locais fechados e mal ventilados. Diferentemente da COVID-19, em que contatos rápidos podem ser suficientes para contágio, o hantavírus demanda convivência intensa em espaços confinados.

AMBIENTE DO NAVIO FAVORECEU DISSEMINAÇÃO

As características da embarcação teriam criado condições ideais para a propagação do vírus. A suspeita é de que um dos passageiros tenha embarcado ainda no período de incubação da doença, sem apresentar sintomas aparentes.

O clima frio da região fez com que os ocupantes permanecessem grande parte do tempo em áreas internas do navio, que operava com ventilação artificial e pouca renovação de ar. A convivência contínua durante vários dias teria facilitado a transmissão da cepa entre os passageiros.

Especialistas apontam que ambientes fechados continuam sendo um fator crítico para surtos respiratórios, sobretudo quando associados a longos períodos de permanência coletiva.

DOENÇA APRESENTA ALTA TAXA DE MORTALIDADE

A hantavirose é considerada uma enfermidade grave e de rápida progressão. Conforme explicou Chebabo, a taxa de letalidade pode variar entre 25% e 50%, independentemente da idade ou condição física do paciente.

Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores musculares e mal-estar, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória em casos severos. Ainda não existe tratamento antiviral específico para a doença, e o atendimento médico é baseado em suporte intensivo.

Mesmo diante da gravidade do surto, especialistas reforçam que o risco de disseminação ampla permanece baixo. O vírus já é conhecido pela comunidade científica e não apresentou mutações que indiquem aumento significativo de transmissibilidade.

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