A aproximação do verão costuma trazer um movimento já conhecido nas academias, consultórios e redes sociais, a corrida pelo chamado “corpo ideal”. Motivadas pela vontade de emagrecer ou ganhar definição muscular em pouco tempo, muitas pessoas intensificam os treinos, adotam dietas restritivas e, em alguns casos, recorrem até mesmo ao uso inadequado de medicamentos para acelerar os resultados.
Embora a busca por uma melhor aparência física seja legítima, especialistas alertam que a pressa pode cobrar um preço alto da saúde.
Segundo o professor de Educação Física e pós-graduado em Hipertrofia e Emagrecimento, Higor Farias, a procura por resultados rápidos aumenta consideravelmente nesta época do ano. “Há um aumento significativo na procura por entrar em forma o mais rápido possível”, afirma.

O profissional explica que um dos principais equívocos cometidos por quem deseja emagrecer rapidamente é acreditar que basta gastar muitas calorias para alcançar o objetivo.
“O emagrecimento é multifatorial. Não depende apenas de gastar muitas calorias e perder peso o mais rápido possível. Ele depende de uma dieta equilibrada, exercício físico contínuo, sono regular e mudanças de hábitos”, destaca.
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RISCO DE LESÕES E EXCESSOS
A tentativa de acelerar os resultados também pode levar pessoas a ultrapassarem os limites do próprio corpo. De acordo com Higor, treinos intensos realizados sem orientação profissional aumentam significativamente o risco de lesões.
Entre os problemas mais comuns estão lesões articulares, ósseas e musculares, além da fadiga excessiva. Em situações mais graves, pode ocorrer até mesmo a rabdomiólise, condição caracterizada pela destruição das fibras musculares e que pode trazer complicações sérias ao organismo.
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O educador físico explica que um dos sinais de alerta é o chamado overtraining, quando a carga de exercícios supera a capacidade de recuperação do corpo.
“Queda no desempenho, fadiga excessiva e dores prolongadas são alguns dos sintomas que indicam que o organismo está sendo exigido além do que consegue recuperar”, alerta.
Para quem deseja resultados duradouros, o especialista reforça a importância da paciência. Segundo ele, mudanças perceptíveis costumam surgir entre seis e oito semanas de prática regular.
“O exercício físico é um tratamento não medicamentoso e seus benefícios são construídos ao longo do tempo”, afirma.
EMAGRECIMENTO RÁPIDO PODE TRAZER CONSEQUÊNCIAS
A endocrinologista Dra. Carlliane Lima e Lins Pinto Martins observa que a procura por soluções rápidas para emagrecer cresce especialmente antes do verão, das férias e das festas de fim de ano.

Segundo ela, o desejo de melhorar a autoestima e a saúde pode servir como estímulo positivo. O problema surge quando a preocupação com o resultado imediato se torna maior do que o cuidado com o próprio organismo.
“Muitas pessoas chegam ao consultório após tentativas frustradas com dietas extremas, jejuns prolongados, excesso de exercícios ou uso inadequado de medicamentos”, relata.
A especialista explica que a perda de peso acelerada nem sempre significa redução apenas da gordura corporal. Em muitos casos, ocorre também perda de massa muscular, fundamental para o metabolismo e para a manutenção do peso a longo prazo.
Além disso, podem surgir deficiências nutricionais, queda de cabelo, alterações hormonais, fadiga, piora do desempenho físico e até cálculos biliares.
Outro ponto de atenção é o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento. Embora remédios modernos tenham revolucionado o tratamento da obesidade, a endocrinologista ressalta que eles precisam ser utilizados sob acompanhamento médico.
“O problema não está no medicamento em si, mas no uso sem avaliação adequada. O acompanhamento é fundamental para orientar a alimentação, monitorar efeitos adversos e preservar a massa muscular”, explica.
SAÚDE ACIMA DOS PADRÕES ESTÉTICOS
Para a endocrinologista, a construção de hábitos saudáveis continua sendo a estratégia mais eficiente para quem deseja transformar o corpo sem comprometer a saúde.
Ela destaca que alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e manejo do estresse formam a base de qualquer processo de emagrecimento sustentável.
Mais do que perseguir um padrão estético, a médica recomenda que as pessoas mudem a forma de enxergar o próprio corpo.
“Meu conselho é trocar o projeto verão por um projeto de saúde. O melhor resultado não é apenas aquele que aparece no espelho, mas aquele que melhora a saúde, a qualidade de vida e a relação da pessoa com o próprio corpo”, conclui.
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