O calor, os dias ensolarados e os momentos de lazer ao ar livre costumam marcar o verão de milhares de brasileiros. Mas enquanto muita gente aproveita praias, piscinas e atividades externas, os cuidados com a pele acabam ficando em segundo plano, um descuido que pode trazer consequências que vão muito além de uma simples queimadura.
A auxiliar administrativa Mariana Costa, de 34 anos, conhece bem essa realidade. Durante um fim de semana na praia, ela passou horas sob o sol e reaplicou o protetor solar apenas uma vez. O resultado veio nos dias seguintes após a pele pele aparecer avermelhada, com ardência intensa e descamação.
“Como o dia começou nublado, achei que não teria problema. Só percebi o erro quando a pele começou a queimar e descascar”, conta.
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Situações como essa são mais comuns do que parecem. Segundo a dermatologista Giselle Parente Souza, da Hapvida, a exposição excessiva aos raios solares pode causar danos imediatos e também consequências que surgem ao longo dos anos.
“A exposição excessiva ao Sol pode provocar desde queimaduras, vermelhidão, descamação e ativação de doenças já existentes na pele até efeitos de longo prazo, como envelhecimento precoce, manchas, rugas, perda de elasticidade e aumento do risco de câncer de pele”, explica.
A especialista destaca que os danos provocados pela radiação ultravioleta são cumulativos. Por isso, a proteção não deve acontecer apenas em dias de praia ou piscina.

“Mesmo em dias nublados, a radiação solar continua atingindo a pele. A proteção deve fazer parte da rotina diária”, reforça.
Escolher o protetor certo faz diferença
Entre os principais aliados da saúde da pele está o protetor solar. No entanto, usar qualquer produto ou aplicá-lo de forma incorreta pode reduzir significativamente sua eficácia.
De acordo com Giselle, a recomendação é optar por produtos com Fator de Proteção Solar (FPS) 30 ou superior e que ofereçam proteção contra os raios UVA e UVB.

Além disso, o protetor deve ser escolhido de acordo com as características individuais da pele.
“Pessoas com pele oleosa costumam se adaptar melhor a versões em gel ou com toque seco. Já as peles mais secas geralmente apresentam melhor tolerância a fórmulas hidratantes. O mais importante é que o produto seja confortável para o uso diário”, orienta.
Outro erro bastante frequente é esquecer a reaplicação. “A recomendação é reaplicar o protetor a cada duas horas ou antes desse período em situações de suor excessivo, prática de atividades físicas ou contato com água”, afirma.
Proteção vai muito além do protetor solar
Embora o uso do protetor seja indispensável, ele não é a única forma de proteger a pele dos efeitos nocivos do sol.
Segundo a dermatologista, medidas complementares podem fazer toda a diferença na prevenção dos danos causados pela radiação ultravioleta.
“O uso de chapéus, bonés, óculos de sol com proteção UV e roupas adequadas ajuda a reduzir a exposição. Também é importante evitar os horários de maior intensidade solar, geralmente entre 10h e 16h”, explica.
Outro ponto fundamental é a hidratação. Durante os períodos mais quentes, o organismo perde mais líquidos e a pele pode ficar mais sensível e ressecada.

“Manter uma boa ingestão de água, utilizar hidratantes adequados ao tipo de pele e optar por produtos de limpeza suaves contribui para preservar a barreira de proteção natural da pele”, acrescenta.
Erros comuns podem comprometer a saúde da pele
Mesmo quem utiliza protetor solar diariamente pode cometer falhas que reduzem a proteção. Entre os erros mais frequentes observados nos consultórios está a aplicação de quantidade insuficiente do produto.
“Muitas pessoas aplicam menos protetor do que o necessário e acabam ficando vulneráveis aos danos causados pelo sol”, alerta a médica.
Ela também chama atenção para áreas frequentemente esquecidas. “Orelhas, pescoço, couro cabeludo, mãos e pés também ficam expostos à radiação solar e precisam receber proteção adequada”, ressalta.
Crianças e idosos merecem atenção especial
Embora a proteção seja importante para todos, alguns grupos exigem cuidados ainda maiores.
As crianças possuem pele mais sensível e vulnerável aos efeitos da radiação solar. Já os idosos apresentam uma pele naturalmente mais fina e fragilizada, o que aumenta o risco de lesões e ressecamento.
“Nesses grupos, a proteção deve ser ainda mais rigorosa, com uso adequado de protetor solar, roupas protetoras e menor exposição nos horários de maior incidência dos raios solares”, orienta.

A dermatologista reforça ainda que o tom da pele não elimina a necessidade de proteção. “Todos precisam de cuidados e proteção solar, independentemente da cor da pele.”
Quando procurar ajuda médica
Além da prevenção, é importante ficar atento aos sinais que a pele pode apresentar ao longo do tempo. Alterações em pintas, manchas que surgem repentinamente ou lesões que não cicatrizam devem ser avaliadas por um especialista.
“Pintas que mudam de cor, tamanho ou formato, feridas que não cicatrizam, manchas que crescem rapidamente e lesões que coçam ou sangram merecem investigação médica”, alerta Giselle.
Segundo ela, queimaduras frequentes, excesso de manchas e sinais precoces de envelhecimento também são motivos para buscar orientação profissional. “O diagnóstico precoce é um dos principais aliados na prevenção e no tratamento das doenças de pele”, conclui.
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