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DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO

Câncer de intestino dá primeiros sinais no banheiro; entenda!

Doença pode apresentar sinais antes de se agravar, mas mudanças no hábito intestinal ainda são ignoradas por muitos brasileiros

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Imagem ilustrativa da notícia Câncer de intestino dá primeiros sinais no banheiro; entenda! camera As dores estomacais podem indicar o câncer de intestino | Reprodução/Magnific

O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, tem ganhado espaço entre os diagnósticos oncológicos no Brasil e no mundo. A doença já figura entre os tipos de câncer mais frequentes na população brasileira e provoca mais de 23 mil mortes por ano no país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Um dos principais desafios para o enfrentamento da doença está na identificação dos primeiros sinais. Em muitos casos, as alterações começam de maneira discreta e acabam sendo atribuídas a problemas passageiros. Com isso, a procura por atendimento médico pode ser adiada, permitindo que o quadro evolua.

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Entre os sintomas que devem chamar a atenção estão a presença de sangue nas fezes ou sangramento pelo reto, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, como episódios frequentes de diarreia ou prisão de ventre, além da redução da espessura das fezes. Dor ou cólica abdominal que não desaparece, anemia sem uma causa esclarecida e emagrecimento sem motivo aparente também precisam ser investigados.

A experiência relatada pela cantora Preta Gil, que morreu em 2025 após enfrentar um câncer colorretal, tornou-se um exemplo conhecido sobre a importância de observar alterações no funcionamento do organismo. Em 2023, antes de receber o diagnóstico, ela contou ter passado por um período incomum de constipação, chegando a ficar cerca de dez dias sem evacuar. Também percebeu mudanças nas fezes, com formato achatado, presença de sangue e muco.

A busca por atendimento ocorreu após um episódio de sangramento intenso. Os exames realizados no hospital identificaram um tumor com aproximadamente seis centímetros.

O caso ajuda a ilustrar uma dificuldade enfrentada no diagnóstico do câncer de intestino: nem sempre os sinais são reconhecidos como motivo para uma investigação médica. Um levantamento realizado pelo A.C. Camargo Cancer Center mostrou que, embora parte dos entrevistados conheça sintomas associados à doença, ainda existe resistência em procurar ajuda profissional.

De acordo com a pesquisa, 9% dos participantes disseram já ter observado sangue nas fezes em algum momento. Entre essas pessoas, quase metade não buscou atendimento médico.

Doença também preocupa entre os mais jovens

O câncer colorretal é um dos tumores mais comuns no mundo. Estimativas apontam que cerca de 2 milhões de novos casos são registrados anualmente, colocando a doença entre os principais tipos de câncer diagnosticados globalmente.

No Brasil, os dados do Inca indicam que os tumores de intestino representam cerca de 10% dos novos diagnósticos de câncer entre homens e mulheres. A incidência também apresenta tendência de crescimento.

A maior parte dos casos continua concentrada em pessoas acima dos 50 anos, mas o aumento de diagnósticos entre adultos mais jovens tem despertado preocupação na comunidade médica. Ainda não existe uma explicação única para esse fenômeno, mas especialistas investigam a possível influência de mudanças no padrão de alimentação, sedentarismo, excesso de peso e outros fatores relacionados ao estilo de vida.

Embora nem todos os casos possam ser evitados, medidas relacionadas à rotina podem contribuir para reduzir os fatores de risco associados ao câncer colorretal. Uma alimentação variada, com presença regular de verduras, legumes e outros alimentos ricos em fibras, é considerada importante para a saúde intestinal. Também é recomendado manter o peso adequado e praticar exercícios físicos com frequência.

Outro cuidado envolve evitar o cigarro e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. A hidratação também faz parte dos hábitos que favorecem o funcionamento do organismo, enquanto alterações persistentes no ritmo intestinal devem ser avaliadas por um profissional de saúde.

A orientação médica é especialmente importante quando sintomas como sangramento, dor abdominal recorrente ou mudanças prolongadas no hábito intestinal aparecem. Mesmo quando a alteração parece pequena, a investigação pode ajudar a identificar a origem do problema e, em determinados casos, permitir a descoberta da doença em estágio inicial.

Rastreamento pelo SUS

O Ministério da Saúde também anunciou mudanças na estratégia nacional de rastreamento do câncer colorretal dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). O novo protocolo prevê o uso do Teste Imunoquímico Fecal, conhecido pela sigla FIT, como exame de referência para o rastreamento de pessoas de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas.

O teste é feito a partir de uma amostra de fezes e procura identificar pequenas quantidades de sangue que não podem ser percebidas visualmente. A presença de sangue oculto pode estar relacionada a diferentes alterações no intestino, incluindo pólipos, lesões que podem anteceder um câncer e tumores.

O método utiliza anticorpos específicos para detectar sangue humano, o que permite uma análise mais direcionada do que os métodos tradicionais de pesquisa de sangue oculto nas fezes.

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O rastreamento, no entanto, não substitui a avaliação médica diante de sintomas. Pessoas que apresentem sinais suspeitos devem procurar atendimento de saúde para investigar a causa, independentemente da idade.

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