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ESPECIALISTAS FAZEM ALERTA

A volta da magreza extrema: os riscos da busca pelo corpo perfeito 

A magreza extrema tem ganhado espaço nas redes sociais com a exposição de celebridades e influenciadoras, levantando preocupações sobre seus impactos na saúde.

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Imagem ilustrativa da notícia A volta da magreza extrema: os riscos da busca pelo corpo perfeito  camera A magreza extrema virou motivo de alerta entre especialistas pelos riscos à saúde física e mental associados à busca pelo corpo ideal. | ( Reprodução/ Depositphotos )

A magreza extrema voltou ao centro das discussões nas redes sociais após a repercussão sobre a aparência de celebridades como Ariana Grande e Maiara, da dupla com Maraisa. O tema também levantou um alerta entre profissionais de saúde sobre os impactos da valorização de corpos excessivamente magros como padrão de beleza. Segundo a nutricionista Danielly Cruz, esse tipo de exposição pode influenciar principalmente adolescentes e jovens, que estão em uma fase de construção da identidade e são mais vulneráveis às referências consumidas diariamente na internet.

A especialista explica que o problema não está em uma pessoa ter determinado tipo físico, mas na transformação de um padrão corporal específico em uma exigência estética que pode gerar sofrimento e comportamentos prejudiciais.

Como a exposição de celebridades pode influenciar jovens?

De acordo com Danielly Cruz, adolescentes e jovens estão em um período de formação da autoestima e da relação com o próprio corpo. Por isso, os conteúdos vistos nas redes sociais podem exercer grande influência.

“Quando a magreza extrema é constantemente apresentada como sinônimo de sucesso, felicidade ou beleza, muitas pessoas passam a acreditar que esse é o único corpo aceitável. Isso pode gerar insatisfação corporal, baixa autoestima e incentivar comportamentos alimentares inadequados”, explica a nutricionista.

A nutricionista Danielly Cruz, da Hapvida, alerta para os riscos da magreza extrema e explica como a busca pelo corpo ideal pode afetar a saúde física e mental.
📷 A nutricionista Danielly Cruz, da Hapvida, alerta para os riscos da magreza extrema e explica como a busca pelo corpo ideal pode afetar a saúde física e mental. |( Divulgação)

Nos últimos anos, artistas como Ariana Grande e Maiara, da dupla com Maraisa, passaram a ser alvo frequente de comentários públicos sobre mudanças físicas e emagrecimento. Para especialistas, debates desse tipo mostram a importância de evitar julgamentos sobre corpos e reforçar que aparência não deve ser associada automaticamente à saúde.

Ariana Grande
📷 Ariana Grande |( Divulgação)

Quais são os riscos da magreza extrema para a saúde?

Segundo Danielly Cruz, os riscos da busca excessiva pela magreza vão muito além da estética.

“Do ponto de vista físico, podem ocorrer deficiências nutricionais, perda de massa muscular, alterações hormonais, queda da imunidade, osteoporose precoce, problemas cardiovasculares e alterações menstruais nas mulheres”, afirma.

A nutricionista também destaca os impactos emocionais desse comportamento.

“Na saúde mental, aumentam os casos de ansiedade, depressão, obsessão com peso e alimentação, além do desenvolvimento de transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar”, explica.

Quais sinais podem indicar um transtorno alimentar?

A especialista alerta que alguns comportamentos precisam ser observados com atenção, principalmente quando começam a interferir na rotina e na qualidade de vida.

“Perda de peso rápida sem motivo aparente, medo intenso de ganhar peso, restrição alimentar excessiva, eliminação de grupos inteiros de alimentos sem indicação clínica, contagem obsessiva de calorias e prática exagerada de exercícios como forma de compensação são alguns sinais importantes”, destaca Danielly.

A volta da magreza extrema: os riscos da busca pelo corpo perfeito 
📷 |( Divulgação)

Ela também cita episódios de compulsão alimentar, acompanhados ou não de comportamentos compensatórios, e o isolamento social para evitar refeições com familiares ou amigos como sinais que merecem investigação.

“Quanto mais cedo esses sinais forem identificados, maiores são as chances de recuperação”, afirma.

Quando o cuidado com a saúde deixa de ser saudável?

Para Danielly Cruz, existe uma diferença entre buscar qualidade de vida e perseguir um padrão estético a qualquer custo.

“Uma busca saudável tem como foco o bem-estar, a disposição, a saúde e a qualidade de vida. Ela inclui alimentação equilibrada, atividade física prazerosa, sono adequado e flexibilidade para aproveitar momentos sociais sem culpa”, explica.

Por outro lado, a especialista alerta que alguns comportamentos podem indicar risco.

“Quando a pessoa vive em função da balança, sente culpa intensa ao comer, elimina alimentos sem necessidade, faz dietas extremamente restritivas ou sacrifica sua vida social em busca de um padrão estético, isso deixa de ser um cuidado com a saúde e passa a representar um comportamento de risco”, afirma.

Qual é o papel da família e das redes sociais na prevenção?

A prevenção dos transtornos alimentares envolve a participação da família, da escola e também das plataformas digitais.

“A família deve promover uma relação saudável com os alimentos, evitando comentários negativos sobre peso e aparência, tanto dos filhos quanto de outras pessoas”, orienta a nutricionista.

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Segundo ela, a escola também pode contribuir com ações de educação alimentar e incentivo ao pensamento crítico sobre os padrões de beleza divulgados pela mídia.

“Nas redes sociais, é importante lembrar que muitas imagens são editadas e não representam a realidade. Também é saudável seguir perfis que promovam diversidade corporal, saúde e informação baseada em evidências, e não apenas padrões estéticos”, destaca.

Quando procurar ajuda profissional?

Danielly Cruz reforça que a busca por ajuda deve acontecer assim que surgirem preocupações persistentes relacionadas ao peso, alimentação ou imagem corporal.

“O tratamento deve ser multiprofissional. O nutricionista é responsável pela reabilitação nutricional e pela reconstrução de uma relação saudável com a alimentação. O psicólogo trabalha os aspectos emocionais e comportamentais envolvidos no transtorno. O psiquiatra pode ser necessário em casos que envolvam ansiedade, depressão ou quando há indicação de medicação”, explica.

Ela acrescenta que endocrinologistas e médicos clínicos também podem participar do acompanhamento, dependendo da necessidade de cada paciente.

“Transtornos alimentares são doenças sérias, mas têm tratamento. Quanto mais precoce for o diagnóstico e a intervenção, melhores costumam ser os resultados”, conclui.

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