As chamadas canetas emagrecedoras ganharam espaço na rotina de quem busca perder peso, mas os efeitos do tratamento podem ir além da balança. Medicamentos como semaglutida e tirzepatida alteram o apetite e a sensação de saciedade, e essa mudança também pode repercutir na relação que a pessoa mantém com a comida e com o próprio corpo.
Para psicólogos, um dos pontos que merece atenção é a expectativa criada em torno do emagrecimento. Em alguns casos, a pessoa deposita no medicamento a esperança de resolver problemas relacionados à autoestima, à ansiedade ou à própria imagem. Quando isso não acontece da maneira esperada, podem surgir frustração e insegurança.
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Outro cuidado envolve a chamada fome emocional. As canetas conseguem reduzir a fome física, mas isso não significa necessariamente que sentimentos como ansiedade, estresse, tristeza ou frustração deixem de influenciar o comportamento alimentar. Especialistas defendem que essas questões sejam trabalhadas paralelamente ao tratamento.
O emagrecimento pode trazer efeitos positivos para a autoestima. Roupas que voltam a servir, mudanças na aparência e a melhora de alguns indicadores de saúde podem aumentar a confiança.
Mas existe também o outro lado. Uma transformação rápida pode fazer com que a pessoa passe a observar o próprio corpo de maneira ainda mais rígida, estabelecendo novas metas e sentindo que nunca chegou ao resultado considerado ideal.
Esse cenário é especialmente delicado quando o tratamento está ligado apenas à pressão estética. Pesquisadores da Universidade de São Paulo destacam que o fenômeno das canetas emagrecedoras também precisa ser analisado sob os aspectos culturais e sociais que envolvem a busca pelo corpo considerado ideal.
Relatos recentes de usuários levantaram outro debate: algumas pessoas afirmam ter percebido redução do interesse por atividades que antes eram prazerosas, além de cansaço, queda da libido e menor disposição para interações sociais.
Esses relatos ainda não significam que os medicamentos sejam responsáveis diretamente por essas mudanças. Estudos sobre o assunto continuam em andamento, e não há evidência conclusiva de que os agonistas de GLP-1 provoquem alterações de humor ou perda de prazer em todos os usuários.
O assunto ganhou atenção porque esses medicamentos atuam em mecanismos relacionados ao apetite e também interagem com circuitos cerebrais envolvidos em recompensa, motivação e comportamento. Por isso, possíveis alterações emocionais precisam ser observadas individualmente.
As canetas podem fazer parte do tratamento da obesidade quando existe indicação adequada, mas não devem ser encaradas como uma solução isolada. A orientação de profissionais de saúde é importante tanto para acompanhar os efeitos físicos quanto para identificar mudanças no comportamento e no estado emocional.
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Também é necessário evitar o uso por conta própria. A popularização desses medicamentos aumentou a preocupação das autoridades de saúde com utilização sem indicação médica e com produtos comercializados ilegalmente. No Brasil, a compra exige receita médica.
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