O Governo Federal anunciou nesta sexta-feira (25) novas regras para restringir as plataformas de apostas online no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as bets transformam vício em lucro e destroem lares.
Por isso, além do endividamento das famílias, a medida mira um problema de saúde pública: a ludopatia, uma condição médica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
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No Brasil, ela consta no CID com dois códigos: 10-Z72.6 (mania de jogo e apostas) e 10-F63.0 (jogo patológico). Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), cerca de 10,8 milhões de pessoas com 14 anos ou mais jogam de forma arriscada ou problemática no País.
Assim, a doença funciona pelo mesmo mecanismo da dependência de álcool ou drogas. Nesse caso, no entanto, a necessidade não é por uma substância, mas pela emoção que a aposta provoca no cérebro.
O jogo ativa o sistema de recompensa, que libera dopamina, hormônio ligado à sensação de prazer. Assim, a compulsão se reforça a cada rodada.
Pesquisas recentes mostram que a fissura dos apostadores é tão ou mais intensa do que a de dependentes de cocaína ou álcool. Portanto, tratar a ludopatia exige a mesma seriedade dedicada a outros vícios químicos.
Aliás, a doença não é nova.
No Brasil, a Irmandade de Jogadores Anônimos existe desde 1993 e apoia pessoas com dependência de jogo, ainda na época dos bingos, carteados e caça-níqueis. Afinal, qualquer pessoa, em qualquer idade, pode desenvolver o vício.
Os especialistas alertam que a fissura é um processo gradual e, em geral, quem adoece demora para perceber que uma aposta casual virou dependência. Por isso, conhecer os sinais de alerta é essencial.
Veja os principais sinais de que o jogo pode ter se tornado um problema:
- Planejar constantemente como conseguir dinheiro para jogar;
- Precisar apostar valores cada vez maiores para sentir a mesma emoção;
- Tentar parar ou reduzir o jogo sem sucesso;
- Sentir irritação ou inquietação ao tentar parar;
- Jogar para escapar de ansiedade, culpa ou depressão;
- Mentir para familiares para esconder o hábito;
- Arriscar empregos ou relacionamentos por causa do jogo;
- Pedir dinheiro emprestado para continuar apostando.
Muitas pessoas com o vício acreditam que podem parar sozinhas. Contudo, na maioria dos casos, isso não acontece. Assim como em outros vícios, o tratamento exige apoio terapêutico, além do suporte de familiares e amigos.
Como o jogo patológico altera o sistema de recompensa do cérebro, é necessário um processo terapêutico justamente para reverter esse ciclo e lidar com a ausência da emoção que a aposta provocava. Os tratamentos indicados incluem:
- Terapia individual;
- Terapia em grupo;
- Terapia familiar.
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Por fim, quem identificar esses sinais em si mesmo ou em alguém próximo deve buscar ajuda de um profissional de saúde mental. O reconhecimento do problema é, de fato, o primeiro passo para a recuperação.
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