Na Alemanha, produzir a própria energia deixou de ser algo restrito a quem tem casa com telhado, dinheiro para uma grande instalação ou autorização para fazer obras. Para milhões de moradores, uma varanda ensolarada e uma tomada são suficientes para gerar eletricidade.
Conhecido como Balkonkraftwerk, o sistema consiste em pequenos painéis solares instalados na varanda e conectados à rede elétrica da residência. O modelo ganhou força principalmente entre pessoas que vivem de aluguel e não podem instalar equipamentos no telhado.
Solução para quem mora de aluguel
A popularização do sistema tem relação direta com o perfil habitacional alemão. Cerca de 55% dos domicílios do país são alugados, uma das maiores proporções da União Europeia.
Para esse público, investir em uma instalação solar tradicional pode ser pouco atrativo. A varanda, porém, oferece um espaço acessível para colocar os equipamentos sem a necessidade de uma grande obra.
É nesse cenário que os chamados “sistemas solares de varanda” ganharam espaço.
Como funciona o sistema?
O conceito é relativamente simples e foi desenvolvido para funcionar como um equipamento plug-and-play. O kit normalmente reúne um ou dois painéis solares, suportes de fixação e um microinversor.
A instalação segue, basicamente, quatro etapas:
- Compra do kit: os equipamentos podem ser encontrados em lojas especializadas e até supermercados;
- Fixação: os painéis são presos à grade ou à estrutura da varanda;
- Microinversor: o equipamento converte a eletricidade produzida pelos painéis para um formato compatível com a rede doméstica;
- Conexão: o sistema é ligado à instalação elétrica da residência.
Desde 2024, mudanças introduzidas pelo pacote de medidas conhecido como Solarpaket I também simplificaram o processo para quem deseja instalar uma dessas unidades.
A Bundesnetzagentur, agência federal alemã responsável, entre outras funções, pela regulação dos setores de energia e telecomunicações, reduziu a burocracia do registro.
Segundo a agência, o cadastro de uma usina solar de varanda passou a exigir cinco informações, em vez das 20 solicitadas anteriormente.
Por que o limite é de 800 watts?
Um dos pontos mais conhecidos do modelo alemão é o limite de potência de 800 watts para os chamados sistemas de geração de energia conectados à tomada.
A restrição está relacionada à segurança da instalação elétrica. Sistemas com potência maior podem exigir requisitos técnicos adicionais e avaliação da rede elétrica do imóvel.
Na prática, um equipamento de 800 watts pode contribuir para alimentar parte do consumo diário da residência, reduzindo a quantidade de eletricidade comprada da rede.
A geração anual, porém, varia de acordo com fatores como localização, orientação dos painéis, incidência solar e condições climáticas. Estimativas para esses sistemas costumam ficar na faixa de centenas de quilowatts-hora por ano.
Quanto custa instalar?
O preço depende do número de painéis, da potência do equipamento e da inclusão ou não de bateria. Kits básicos podem custar algumas centenas de euros.
Outro fator que ajudou a popularizar a tecnologia foi a redução da burocracia e a existência de incentivos locais em algumas cidades alemãs.
Municípios como Berlim e Munique já ofereceram programas de incentivo para moradores interessados em instalar sistemas solares de varanda.
Também existem kits equipados com baterias, que permitem armazenar parte da energia produzida durante o dia para utilização posteriormente.
Modelo poderia funcionar no Brasil?
A experiência alemã levanta uma possibilidade interessante para outros países: levar a geração solar para apartamentos e imóveis alugados.
O Brasil possui um dos maiores potenciais solares do mundo e uma grande quantidade de moradores em apartamentos. No entanto, a instalação de equipamentos em varandas envolve questões técnicas, regras de condomínio, segurança e regulamentação elétrica.
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Por isso, embora a tecnologia seja relativamente simples, a adoção de um modelo semelhante ao alemão dependeria de regras específicas que definissem como esses equipamentos poderiam ser instalados e conectados à rede elétrica.
Na Alemanha, a combinação entre equipamentos mais acessíveis, alta tarifa de energia, grande número de imóveis alugados e simplificação das regras ajudou a transformar a pequena varanda em uma espécie de miniusina doméstica.
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