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Oportunidade grande em clima de Copa

Belém recebeu essa semana o III Seminário Nacional de Comércio Eletrônico, Meios de Pagamentos e Negócios na Web e II Workshop de Redes e Mídias Sociais. O evento listou as novidades e desafios para o comércio eletrônico no país, principalmente com a apro

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Belém recebeu essa semana o III Seminário Nacional de Comércio Eletrônico, Meios de Pagamentos e Negócios na Web e II Workshop de Redes e Mídias Sociais. O evento listou as novidades e desafios para o comércio eletrônico no país, principalmente com a aproximação da Copa do Mundo no ano que vem.

Nesta entrevista cedida às repórteres Rita Soares e Iaci Gomes, o diretor geral do evento, Marcelo Castro, traça apostas: para ele, o Pará é um dos estados hoje mais beneficiados pelo comércio eletrônico. Formado em Administração de Empresas, Marketing e Jornalismo, membro do Conselho da Copa de 2014 e business advisor da União Europeia, Castro vê também nisso desafios para os pequenos comerciantes na web. Afinal, segundo ele, Belém pode e deve tirar vantagem da Copa - mesmo não estando entre as cidades-sedes. Confira:

P: Como está o cenário no comércio eletrônico hoje?

R: Viver num mundo estruturado em tecnologias digitais que nos permitem uma conectividade rápida significa que hoje você não se contenta com menos do que querer algo e ter uma resposta em segundos. Estou com uma dúvida, quero saber uma coisa qualquer, dou uma “googlada” e já descubro. É tudo muito instantâneo e esse mundo começou a impactar no jeito que a gente vive, se relaciona, compra e na forma que a gente vende. Eu não me contento em entrar numa loja e ver apenas aquele portfólio de roupas que estão na vitrine. Na internet você entra numa loja e não se considera saindo, para você é tudo uma coisa só, mesmo saindo de uma e entrando em outra. Na verdade as lojas se fundem e aquilo tudo vira uma única loja, e há a sensação de que no mundo web tudo está à vontade, mais disponível. A diversidade é maior. O que é o comércio eletrônico? Nada mais é do que uma forma em que nós, acostumados com essa velocidade do pensamento, tentamos fazer negócio. Mas por que está explodindo? É o único negócio do mundo que cresce 30% ao ano. Para ter uma ideia, de 2012 pra 2013 a previsão é que chegue em dezembro na faixa de 28% a 30% de crescimento, nenhum negócio cresce tanto no mundo. No ano passado cresceu uns 25% mais ou menos, então, no acumulado, você tem um negócio que cresceu mais de 50%.

P: Os negócios estão migrando para a web ou isso é um acréscimo no mercado?

R: Não é um acréscimo. Eles estão apenas migrando. Se fosse um acréscimo o PIB (Produto Interno Bruto) teria crescido também, e ele não está crescendo. Por que está havendo essa migração? Por causa da comodidade, da conveniência do ‘mundo pontocom’.

P: Por que o e-commerce cresce hoje mais no Brasil que em qualquer outro lugar?

R: O brasileiro é muito aderente às novidades digitais. A gente vai pra cima e depois vê o que acontece. Isso tem um lado ruim, mas também tem um lado muito bom. Somos muito criativos e isso está ligado diretamente com o tático, o fazer. O Brasil hoje é o único país do mundo que tem 100% das eleições em urnas eletrônicas, 100% das declarações de imposto de renda na internet. Nós somos o único país do mundo que tem o Bolsa Escola e outros programas sociais digitalizados, com o cartão magnético. Nos Estados Unidos, aposentados e pessoas da terceira idade não sabem passar cartão do jeito que a gente passa aqui. O brasileiro é o nº 2 no Facebook, fomos o nº 1 no Orkut. Por isso o comércio eletrônico ficou tão simples.

P: Ainda há um receio em relação à segurança nos meios digitais. Isso é um obstáculo para o crescimento?

R: Cada dia menos. Não é mais um obstáculo, foi até uns seis meses atrás, eu diria. As vendas do e-commerce cresceram e as fraudes na internet não pararam de crescer, mas estabilizaram. Lógico, o ‘mundo pontocom’ tá crescendo e as fraudes também crescem, quanto mais gente, mais crime. Mas elas não crescem mais numa proporção maior, por causa dos dispositivos de segurança.

Vai ser sempre assim? Acho que não. Daqui a pouco vão descobrir, dar um pulo e volta tudo de novo. Mas no momento estamos com padrões de segurança muito bons. Os bancos e as lojas de grande porte tomam muito cuidado. Inclusive há uma novidade chamada ‘slider’. É um aparelho que você coloca no seu telefone e pode sair na rua fazendo vendas. E só pegar o cartão de crédito, passar e já faz a operação. Se cria segurança. Não é a mesma coisa que digitar, do que uma pessoa pedir no telefone os dados do seu cartão. Em São Paulo, camelôs e banquinhas de café da manhã já usam o slider. Sendo o Pará é um estado muito grande e com problema de estradas, então mobilidade por aqui passa a ser essencial nos negócios. Com essa revolução digital quem mais se beneficia é um Estado como o Pará. Eu digo mais: como membro do comitê da Copa, sempre achei que Belém deveria ser uma das sedes. Acho que Belém e o Pará poderiam roubar a cena facilmente. Mando até esse recado para o governador e o prefeito. Eu participei do Comitê da África do Sul também e sei que o negócio não vem durante a Copa, mas depois. Primeiro por que já vendeu tudo. Quem tinha que comprar coisa antes da Copa, pacote, essas coisas, já está tudo vendido há dois anos. O público que vem pra cá agora é um público pequeno se você comparar com o potencial de quem vem depois. Nosso mundo é o da recomendação, do curtir, do compartilhar. Uma dica que eu dou: estamos esperando receber 1,5 milhão, 2 milhões para a Copa do Mundo. Isso é quase nada, é uma vergonha por que a gente não investe em Turismo. Aí imagina você pegar os sorvetes típicos, começar a postar os pratos daqui, a comida, os restaurantes tradicionais, o Estado e o Governo fazer um trabalho de mídias e redes. Primeiro atrair os turistas pra cá, fazer um trabalho para saber quem vai estar na região. Ah, se em Manaus joga Espanha e Itália, por exemplo, vou roubar o turista de Manaus. As pessoas virão depois muito em cima do que os que vieram na frente postaram e recomendaram. Mas o Estado precisa estar preparado para isso.

P: Como é que os pequenos e médios empresários devem se preparar?

R: É muito barato você estar no ‘mundo pontocom’. Não tem desculpa. Quem falar que é pequeno comete o primeiro erro conceitual: se você é pequenininho, então tem que pelo menos tentar se manter vivo. Tem que ter um diferencial competitivo. Tem que ter wi-fi, endereço na web, fanpage. E ter sua homepage, pois se não tiver, não vai ser encontrado pelos buscadores. Tem que ter criatividade, por que as ferramentas estão aí, quanto custa criar um Twitter, um Facebook, uma conta no Youtube? Zero. O pequeno, mais do que ninguém, precisa entrar no mundo digital. Se 70% dos lojistas brasileiros, na média, não estão habitando a web, significa que eles estão perdendo vendas.

P: Já é possível traçar um perfil de quem compra pela internet hoje?

R: Primeiro você precisa ter o cartão de crédito. Agora pode comprar no boleto também, imprimir e pagar. Mas é uma “novidade”. O cartão de débito também é difícil usar na web. Agora o Banco Central tá regulamentando, eu acredito que para o Natal já libere cartão de débito pro ‘mundo pontocom’. Mas eu digo que basicamente é classe A, B, pegando um pedaço da C. Agora, a questão de preço está começando a puxar a classe C inteira. Para se ter uma ideia, quem está comprando no mundo e-commerce? Tem os estrangeiros comprando no nosso mundo e os brasileiros. Hoje se espera terminar o ano com R$ 1,5 bilhão em compras feitas por estrangeiros nas nossas lojas da web. A expectativa de faturamento deles com nossas compras em lojas online de fora é de R$ 2,6 bilhões de reais. Significa que temos um negócio novo chamado déficit da balança on-line.

P: Com a internet a concorrência é acirrada. A um clique está tudo disponível. Isso contribui para essa impressão de redução de preço?

R: Eu diria que sim e não. Na web, os buscadores comparam tudo na hora e é evidente que o mundo fica mais competitivo. Então o preço é um diferencial, mas também não é excludente dos demais. Se você é um pequeno comerciante, procure o Sebrae, procure a Câmara dos Dirigentes Lojistas [CDL]. Essas entidades podem ajudar o pequeno e microempresário a se achar. Mas se você vai fazer um negócio aqui em Belém, não tente logo de cara fornecer para o Brasil por que vai haver o problema do frete. Tente fazer as linhas mais próximas de você, pelo menos onde você tem o controle da logística. Nesse mundo, se você não entregar o que o consumidor pagou, ele vai colocar a boca no trombone nas redes e mídias sociais e isso espalha muito. Logística é 50% do sucesso no ‘mundo pontocom’.

P: Esse tipo de reclamação na redes faz com que as empresas trabalhem melhor o atendimento ao cliente?

R: Está fazendo. Estão surgindo uns sites que classificam e fazem um cadastro positivo das pessoas, no ‘mundo pontocom’. Aplicativos rastreiam teu nome, fazem uma análise sua e etc. Vai ser a mesma coisa com as empresas. Significa que a empresa que entrar na web tem que estar disposta a fazer as coisas certas. Resumindo tudo isso, a gente pode dizer que o e-commerce no Brasil é ótimo negócio para o negociante brasileiro e do Pará. Uma dica que eu dou é a seguinte: se você tem uma lojinha física na rua, você tem por obrigação abrir uma loja pontocom. Mas se você tem uma loja online, o inverso não é verdadeiro. Por que às vezes as pessoas compram online e retiram na loja física. E por último eu diria para habitar a web é utilizar as redes sociais, se divulgar.

(Diário do Pará)

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