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Boatos: crimes de impacto imprevisível

Outra prática que vem se tornando cada dia mais comum no mundo cibernético é a criação de notícias falsas ou boatos, que se espalham como vírus pelas redes. Foi daí que surgiu o termo “viralizar”, amplamente usado no mundo cibernético. As informações fal

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Outra prática que vem se tornando cada dia mais comum no mundo cibernético é a criação de notícias falsas ou boatos, que se espalham como vírus pelas redes. Foi daí que surgiu o termo “viralizar”, amplamente usado no mundo cibernético.

As informações falsas compartilhadas nas redes sociais e na internet podem trazer consequências graves a terceiros e também ser tipificadas como crimes.

O exemplo mais abominável deste tipo de prática aconteceu em maio do ano passado, na cidade de Guarujá, no interior de São Paulo. Uma sequência de mentiras e mal-entendidos levaram à morte violenta da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, linchada numa favela no Guarujá.

Fabiane, uma mulher simples e religiosa, mãe de duas filhas, foi vitimada após boatos nas redes sociais surgirem se referindo a uma mulher que estaria praticando supostos sequestros de crianças para usar em magia negra. Fabiane foi morta porque foi confundida com a mulher do retrato falado e acabou agredida, linchada até à morte.

“É importante que se saiba que toda a informação que alguém decidir compartilhar na internet reflete a sua própria opinião a respeito de qualquer assunto. Se você veicular uma informação que tenha caráter criminoso em relação à imagem de alguém ou em relação ao nome, seja praticando uma conduta delitiva, isso terá reflexos na esfera penal. É importante ter cautela naquilo que se escreve e compartilha, sob risco de ter uma responsabilidade penal ou civil”, explica o especialista em crimes pela internet, Maciel Colli.

ÁGEIS MENTIRAS

Já “mataram” a rainha da Inglaterra, Elizabeth II, pela internet. Uma publicação na conta do Twitter de uma jornalista inglesa levou milhares de pessoas às ruas, em Londres.

A ex-ministra de Direitos Humanos do Brasil, Maria do Rosário (PT-RS) também foi vítima de boatos criminosos. O último foi uma falsa declaração da ex-ministra em defesa dos assassinos que tiraram a vida do médico carioca Jaime Gold.

“É mais um boato perverso”, declarou a ex-ministra e deputada federal.

O que impressiona é a velocidade com que essas informações se proliferam. E a mecânica da divulgação desses fatos pelas redes sociais torna os impactos das mentiras inimagináveis e até certo ponto incontroláveis.

PUNIÇÕES

Este tipo de prática é chamado de “hoax” - notícias falsas ou boatos com teor fortemente apelativos para chamar a atenção.

Porém, os boatos nas redes sociais e, principalmente pelo aplicativo “Whatsapp”, dependendo do teor, também podem ser caracterizados como crimes. Por isso mesmo, é preciso muito cuidado no uso da internet. A pessoa que compartilha uma informação que não é verdade, achando que está ajudando, pode também acabar sendo envolvida em uma prática criminosa.

IDENTIFIQUE UM BOATO

- Conteúdo apelativo, muitas vezes com imagens ou argumentos para tentar validar a mensagem;

- Há quase sempre um pedido do tipo “espalhe essa mensagem”;

- Algumas mensagens citam empresas, marcas, ONGs, pesquisadores renomados, escritores famosos. A ideia é dar um ar mais verdadeiro ao boato;

- Nenhuma empresa oferece recompensas ou doações extremamente generosas. Mensagens assim são suspeitas;

- Nenhuma empresa ou entidade conta pessoas que receberam uma mensagem e depois faz doações correspondentes a essa quantia;

- Notícias importantes são divulgadas pela imprensa, não por correntes;

- A mensagem pode afirmar que você terá azar se determinada ação não for executada;

- Letras garrafais, cores forte, exclamações: há uma tentativa desesperada de chamar a sua atenção;

- Outro argumento: avisar na própria mensagem que o conteúdo não é falso;

- Erros gramaticais ou ortográficos em excesso e argumentos repetitivos e até contradições.

DENÚNCIAS

- Houve aumento de denúncias contra racismo, ódio a estrangeiros e tráfico de pessoas na internet, diz o relatório da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, coordenada pela organização não governamental SaferNet Brasil.

- A entidade destaca que as eleições e a Copa do Mundo de 2014 contribuíram para o crescimento de denúncias relacionadas a racismo, xenofobia e ao tráfico de pessoas.

- “Destacam-se as manifestações contra nordestinos”, aponta o balanço.

VIOLAÇÕES E CRIMES EM ALTA

189.211 reclamações envolvendo 58.717 páginas da web estão no relatório da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, da ONG SaferNet Brasil.

8,29% foi o aumento de denúncias relacionadas a conteúdos ilícitos na internet no ano passado;

34,15% foi o aumento das páginas racistas;

365,4% foi o crecimento de conteúdos relacionados à xenofobia.

(Diário do Pará)

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