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O lado branco e o negro da tecnologia

Cada vez que as pessoas vão ao cinema ou assitem a uma série que trate de ficção científica, como a britânica “Black Mirror”, que fala de chip de memória humana e vida virtual após a morte, se torna mais fácil pensar que tudo que esse tipo de ficção cria

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Cada vez que as pessoas vão ao cinema ou assitem a uma série que trate de ficção científica, como a britânica “Black Mirror”, que fala de chip de memória humana e vida virtual após a morte, se torna mais fácil pensar que tudo que esse tipo de ficção cria nas telas é só uma questão de tempo até virar realidade. Afinal, apenas duas décadas atrás tinha quem duvidasse que um dia seria possível ver televisão pelo celular. E assim como nos filmes, aprendemos que, na vida real, a tecnologia também pode ser a fonte de muitos problemas, entre eles o surgimentos de hackers. Mas quem disse que eles são mesmo os vilões?

De crianças a doutores em segurança da informação, são muitos os que se interessam hoje pelas novidades tecnológicas. Drones, robôs feitos no formato lego, cadeados inteligentes, programação e invasão de sistemas controlados. Em Belém, durante a primeira edição na região Norte da Roadsec, maior evento hacker da América Latina, esse público descobriu que tudo isso pode ser usado para o mal, mas também para o bem. “O que eu tô mais curioso é para ver a impressora 3D”, comenta Emanuel Angelo, 14 anos, que ainda aproveitou para jogar com celulares que servem como consoles para videogames.

“No passado, para escolher um curso de tecnologia, seja qual for, a pessoa precisava ser muito bem convencida sobre isso. Geralmente ela partia para Medicina, Direito e outros cursos. Hoje, todo mundo utiliza uma tecnologia em suas mãos, que pode ser um celular, e isso desperta interesses em massa desse público jovem. Isso é bom porque cada vez vamos ter mais pessoas qualificadas para trabalhar com isso”, afirma Théo Costa, diretor executivo da Itprotect, empresa especilaizada em segurança da informação.

Como aponta Marina Ciavatta, organizadora do Roadsec, interessados por tecnologia e, principalmente hackings de segurança, são autodidatas. “A maioria das vezes eles aprendem sozinhos em casa, acessando sistemas, descobrindo falhas, se aproveitando dessas falhas. E muitas vezes desconhecem que podem seguir caminhos já trilhados no mercado”. Por isso, a faculdade costuma ser mais uma orientadora para que o conhecimento vire uma carreira. “Nas aulas a gente procura abrir o horizonte deles falando em segurança, robótica, programação.”, diz Allan Costa, professor dos cursos de tecnologia da Universidade da Amazônia (Unama).

Jessica Paz trouxe para Belém o "Phyladies" (Foto: Mauro Ângelo)

Em mundo conectado, todos estão vulneráveis

Como as carreiras em tecnologia tem ganhado mais espaço na preferência dos jovens e na grade cursos das universiades, mais mulheres também tem aderido a elas. Como forma de agregar essas mulheres, Jessica Paz, 19 anos, estudante de Engenharia da Computação, trouxe para Belém o “Phyladies”, iniciativa internacional que ensina e reúne mulheres interessadas em Programação. “Eu gostava de programar em Phyton e vi que não só não tinha Phyladies em Belém como em nenhuma cidade do Norte do País, enquanto só em São Paulo tinha cinco”, conta Jessica.

Atualmente, o grupo possui quatro organizadoras. Atividades, como oficinas, promovidas por elas, costumam atrair de 20 a 30 meninas. “A gente quer trazer mais mulheres para a tecnologia e mudar esse cenário feito em sua maioria por homens”, diz ela. Alessandra Gomes, 34, outra integrante do Phyladies, explica que existem várias linguagens de programação como Java, PHP, mas a escolha por Phyton foi justamente para mostrar que é possível aprender de forma muito simples. “Indicada para quem está começando, ela é simples, fácil de manipular e consegue fazer coisas grandes com poucas linhas de código. Como uma linguagem de software livre, você pode baixar e usar sem pagar nada”, explica.

MUNDO HACKER

Um dos assuntos mais debatidos entre os interessados por tanta tecnologia é do tipo que preocupa de adolescentes a multinacionais e núcleos governamentais: os casos de ransomware. “É algo que está saindo bastante do controle”, pontua Mariana Ciavatta. O nome é dado ao crime de sequestro de dados, seguido de extorção virtual. “O atacante tem acesso aos dados, tranca o acesso a eles e depois pede o resgate. Acontece isso, na verdade, com vários tipos de dispositivos: computadores, celulares, tem um alcance muito grande”, diz ela.

João Pontes, que, aos 24 anos já é pós-graduado em segurança da informação, diz que uma das reflexões que fez ao entrar nesse ramo foi justamente o fato de que tudo pode ser usado para o bem e para o mal. “Quando fiz intercâmbio nos Estados Unidos foi que eu vi como os hackers faziam para invadir os servidores, burlar a infraestrutura digital, e como era importante estudar uma maneira de nos precaver. A premissa então é você saber fazer exatamente a mesma coisa que um hacker. É como ir a um restaurante e ter uma faca na mão, você pode usá-la para matar, mas é isso que você vai querer?”.

Especialistas apontam que, independente de onde você esteja, estará vulnerável a ataques virtuais, uma vez que a internet rompe fronteiras. “Mais que isso, deve ter preocupação com as crianças, já que é muito comum elas terem acesso fácil a dispositivos móveis, com acesso à internet. Elas se descobrem nesse mundo virtual – mundo no qual elas já nasceram, mas é importante lembrar que esse contato também pode gerar situações de risco para elas”, destaca Théo Costa. Para ele, o Brasil ainda precisa amadurecer essa relação. “Diferentemente dos Estados Unidos, por exemplo, onde segurança da informação já é um tema bastante abordado, inclusive pelos jovens, eles se preocupam com isso”, diz

(Lais Azevedo/Diário do Pará)

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