Em entrevista concedida à GALILEU pouco depois de o prazo para o lançamento ter sido adiado novamente, o diretor sênior do projeto, Chanda Gonzales-Mowrer, adiantou que esta seria a última chance. “Não haverá mais nenhuma extensão adicional ao Google Lunar XPRIZE”, prometeu, em novembro de 2017.
O problema é que arcar com o lançamento de um foguete e todos os custos envolvidos no projeto, pouso e comando de uma sonda lunar ainda é algo extremamente caro. Historicamente, missões assim são exclusividade das agências espaciais governamentais. Prova disso é o fato de que, segundo a nota da XPRIZE, todas as equipes envolvidas no prêmio conseguiram captar mais de US$ 300 milhões desde 2007. Não foi o bastante.

Uma delas, a japonesa Hakuto, conseguiu atrair sozinha um investimento de US$ 90 milhões — mas contava com uma carona no pousador da concorrente indiana, TeamIndus, que não conseguiu financiamento. Também faltou dinheiro à israelense SpaceIL, e o consórcio internacional Synergy Moon foi reticente quanto aos progressos. A Moon Express, dos EUA, dispunha de recursos, mas não tinha onde montar a sonda.
Fiasco lunar?
Apesar da sensação generalizada de que o Google Lunar XPRIZE foi um fracasso, os organizadores não enxergam dessa forma. “Nós queremos entregar os prêmios, mas mesmo se nenhum time ganhar, isso não leva embora o progresso que essas equipes trouxeram à indústria”, disse Gonzales-Mowrer, antes do cancelamento.
Com um olhar otimista para o legado da corrida privada à Lua patrocinada pelo Google, o diretor sênior acredita que os esforços de uma década das equipes renderão frutos. “Há negócios sólidos como resultado, e o empenho dos times vai reduzir os custos do tranporte lunar”, afirmou.
Ele também destaca que o prêmio inspirou muita gente no mundo todo e estimulou a inovação na indústria espacial. Na nota, Peter Diamandis e Marcus Shingles, executivos da XPRIZE, afirmaram que, se todas as competições que lançassem tivessem um vencedor, “eles não estariam sendo audaciosos o bastante”. Também informaram que estão estudando maneiras para dar continuidade ao projeto.
As ideias incluem encontrar um novo patrocinador ou então prosseguir sem os prêmios em dinheiro, apenas acompanhando e promovendo as equipes. Quase todas elas afirmaram que continuarão tocando seus negócios lunares — um passo importante, segundo Gonzales-Mowrer, para que a espécie humana se torne interplanetária. “Seria incrível ver a Lua sendo usada como ponto de partida para o resto do Universo.”
(Com informações do The New York Times)
Fonte: Revista Galileu
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