A expectativa pelo período chuvoso mais intenso entre os moradores da Avenida João Paulo II e suas transversais é grande. Tudo porque eles aguardam pelo resultado da obra que promete livrá-los dos alagamentos constantes a cada chuva há anos. Mas enquanto ela ainda não foi concluída, embora tenha iniciado no mês de setembro deste ano com prazo de conclusão previsto para um mês, eles lutam para resolver outras questões, como pavimentação completa das passagens próximas e a finalização asfáltica da avenida principal, que teve parte da pavimentação recém colocada no último dia 7 e raspada ontem (9) porque estava cedendo.
Isso causa, além de desperdício de material (asfalto), ainda mais transtornos para o trânsito na área com nova interdição de parte da via, que já havia sido liberada. O mecânico Otávio Barbosa, de 57 anos, mora desde que nasceu na Passagem Matilde, no Curió-Utinga, umas das ruas afetadas pelos alagamentos. Ele diz que, por enquanto, a obra resolveu apenas uma parte do problema, mas acabou criando outro. “Antes era a rua que enchia agora são as casas, ou seja, não solucionou o problema, porque a água vem pelo ralo do banheiro e invade a residência. Isso não acontecia antes”, garante.


Ele reclama também que apenas a parte inicial da passagem foi asfaltada, enquanto o restante permaneceu com a pavimentação antiga e cheia de buracos. “Eles (funcionários da empresa que está executando a obra) disseram que o projeto só previa alguns metros de asfalto depois da João Paulo e que o restante ficaria como estava”, disse.
O morador Toni Carlos Favacho, 50, também reside na mesma passagem desde que nasceu e teve o privilégio de seu terreno ficar na parte que recebeu asfalto novo. “Terminou justamente na minha casa”, comemorou. Mas para ele, o “correto seria que toda a rua tivesse sido asfaltada, porque não é justo com os outros, todos aqui sofremos com os alagamentos”, continuou. Além disso, ele reclama da qualidade do asfalto colocado na passagem. “É muito fino não sei se vai resistir por muito tempo”.
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PRESSÃO
Na tarde de ontem (9), parte dos moradores da Passagem Matilde fecharam um trecho da via e não deixaram as máquinas da empresa responsável pela obra passarem. “Fizemos isso para pressionar a empresa a levar o asfalto até mais lá em cima porque ela só queria asfaltar no início. Isso não é justo. Porque apenas uns moradores teriam asfalto e o restante não?”, questionava a moradora da passagem, Andréa Beirão, 53, que há cinco anos reside no local.
A pressão, segundo ela, pelo menos no que se refere à promessa, deu certo, por isso os entulhos que estavam fechando a rua foram retirados. “Eles (donos da empresa) prometeram levar o asfalto até mais adiante e a obra que seria concluída na sexta (11) irá se estender por mais uns dias”, ressaltou. Com relação a retirada do asfalto de parte da Avenida João Paulo II na manhã de ontem, ela contou que ocorreu por falta de cuidado. “Eu acho que eles deveriam ter deixado a rua fechada para o trânsito, mas não foi isso que aconteceu, então quando os carros começaram a passar, o asfalto começou a ceder e precisou ser retirado”, opinou.
Sesan
Em nota, a Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) informa que a obra no trecho da avenida João Paulo II será finalizada até o próximo dia 15. O prazo foi estendido devido a uma deformidade no asfalto, mas corrigida. “A Sesan ressalta que o asfalto não cedeu, mas sim surgiram imperfeições após o serviço de pavimentação, ocorrência muito comum durante a execução das obras. “O projeto técnico previu serviços específicos nas duas passagens. A revitalização total das vias será realizada à medida que entrar na programação de recuperação da Sesan”, completou.
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