Na manhã desta quarta-feira (16), uma servidora pública denunciou um possível surto de leishmaniose visceral, também conhecida como Calazar, que estaria ocorrendo na Ilha de Cotijuba, em Belém. A denunciante preferiu não ser identificada, pois teme perseguição e perda de cargo.
Segundo ela, "a Prefeitura não quer que a imprensa divulgue o caso, porque é também causada por uma picada de um inseto chamado de mosquito-palha, que faz adoecer tanto humanos quanto cães", destacou.
Ainda de acordo com ela, já haveria "registros de cães e pessoas doentes, porém, infelizmente, estão escondendo da população para não repercutir mal. Os cães estão sofrendo com a doença. E a população exposta ao vetor", desabafou.
Antes existente somente em animais, em especial cachorros, a leishmaniose visceral vem se expandindo para áreas urbanas de médio e grande porte e se tornou crescente problema de saúde pública no país e em outras áreas do continente americano, sendo uma endemia em franca expansão geográfica. É uma doença sistêmica, caracterizada por febre de longa duração, perda de peso, astenia, adinamia e anemia, dentre outras manifestações. Quando não tratada, pode evoluir para óbito em mais de 90% dos casos.
A doença não é contagiosa nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado. Com o aumento das chuvas na região, o risco de maior número de mosquitos infectados que podem passar o parasita à população aumenta consideravelmente.
Os sintomas da doença são febre com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios, diarreia, sangramentos na boca e nos intestinos.
Tratamento
Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a leishmaniose visceral não eliminam por completo o parasita nas pessoas e nos cães. Nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém eles ainda continuarão como fontes de infecção para o vetor, e, portanto, um risco para saúde da população humana e canina. E muitos casos, no entanto, a recomendação para cães infectados é a eutanásia.
Medidas devem ser tomadas
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informa que já está ciente dos casos de leishmaniose na Ilha de Cotijuba, em Belém e que houve somente um caso humano no local, sendo que outros foram em caninos. A Secretaria ressalta ainda que está sendo feito trabalho emergencial em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) e o Instituto Evandro Chagas.
A Coordenação Estadual de Leishmaniose foi ao local para ministrar palestras nas escolas, com intuito de esclarecer alunos e a comunidade sobre a doença. Os profissionais de saúde também estão sendo orientados sobre o manejo clínico.Com parte das ações, será feito trabalho de conscientização nos portos e distribuídos mosquiteiros impregnados com inseticida para serem utilizados como medida de prevenção. A nota informa ainda, que no Pará, a média anual de registro é de 200 casos por ano.
(DOL)
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