Em abril, ocorreu o 13º curso anual sobre o “Exorcismo e Oração de Libertação”, que reuniu 300 católicos em Roma. O evento durou uma semana de duração, formando "exorcistas" em potencial. Os participantes pagaram cerca de US$ 372 para assistir às sessões patrocinadas por grupos de católicos conservadores.
Para o Padre Andrés Cárdenas, um sacerdote colombiano, anotava diligente enquanto o instrutor, Ernest Simoni, explicava que jejuar às vezes ajuda os possuídos, mas que frequentemente é preciso ser duro com o demônio, e gritar: “Cala-te, Satanás”.
Ocorre que o Vaticano reconheceu uma Associação Internacional de Exorcistas em 2014, que mantém seus cerca de 250 membros atualizados a respeito das melhores práticas ao confrontar o diabo.
Os aspirantes a exorcistas culpam a internet e o ateísmo pelo aumento do mal, mas a urgência no curso aparentemente tinha algo a ver com a crescente visão conservadora segundo a qual a Igreja estaria se desencaminhando por causa do Papa Francisco.
O EVENTO
Durante o discurso de abertura, o cardeal Ernest Simoni respondeu às perguntas dos sacerdotes, como o padre que o instou a compartilhar seus segredos para o exorcismo. “Ore sem parar”, disse o cardeal, lembrando os ouvintes de que, “mais do que qualquer outra coisa, a castidade” é fundamental.
Outro sacerdote perguntou como distinguir entre personalidades bipolares e possuídas. “É importante diferenciar doenças psicopáticas, neurastenia, patologias”, respondeu o cardeal. “Você saberá reconhecer Satanás”.
Outro ainda indagou como ele sabia se um exorcismo tinha funcionado, e o cardeal disse: “Ah, você vê imediatamente”, e explicou que uma pessoa possuída que pula sem parar, a ponto de serem “necessários três a quatro homens para contê-la”, de repente se levanta ”com um sorriso de alegria”.
Os discípulos aproximaram-se então de uma longa mesa com lanches e refrigerantes para uma pausa, enquanto os repórteres insistiam com o cardeal Simoni pedindo que ele realizasse alguns exorcismos por celular, o que tecnicamente é proibido pela lei da Igreja. (Ele já fez “uns cem, mil”, informou o prelado).
De sua parte, Padre Cárdenas advertiu que a magia negra pode ser transmitida por meio de monitores, que os demônios penetram no corpo “pela parte posterior do cérebro”, e que traumas originais, como abuso sexual, podem tornar uma pessoa vulnerável à homossexualidade e aos demônios que provocam tendências suicidas ou violentas, e precisam ser expulsos.
Depois do almoço, os discípulos retornaram para a sessão da tarde: “Exorcismo como Ministério da Graça e da Consolação na Desorientação da Sociedade Contemporânea”, dirigida pelo arcebispo Luigi Negri. Este alertou os sacerdotes a respeito das forças das trevas contra as quais estarão lutando. “O ator deste mal – esta entidade diabólica e perversa”, disse o arcebispo, “é mais forte do que qualquer homem”.
(Com informações do Estadão)
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