Algumas práticas de higiene são diferentes em alguns países do mundo, com costumes que geram um choque cultural. Porém, a explicação para isso pode ser mais técnica do que parece.
Enquanto em países da Europa, nos Estados Unidos e no Japão o descarte de papel higiênico diretamente no vaso sanitário é prática comum, no Brasil o hábito ainda gera dúvidas e, em muitos casos, problemas. Especialistas apontam que a diferença está principalmente na infraestrutura de saneamento, que não foi projetada para lidar com esse tipo de resíduo em larga escala.
A maior parte das residências brasileiras possui sistemas de encanamento dimensionados para transportar apenas dejetos orgânicos e líquidos, que se decompõem rapidamente. Tubulações mais estreitas, com muitas curvas e, por vezes, inclinação inadequada, favorecem o acúmulo de materiais fibrosos, como o papel higiênico.
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Além disso, a pressão da descarga costuma ser menor quando comparada a sistemas mais modernos adotados em outros países. Em muitos imóveis, o uso de caixas acopladas ou reservatórios elevados reduz a força da água, dificultando o transporte adequado do papel ao longo da tubulação e aumentando o risco de entupimentos.
Fossas sépticas agravam o problema
Outro fator relevante é a ampla utilização de fossas sépticas no país, especialmente em áreas sem acesso à rede pública de esgoto. Nesses sistemas, a decomposição ocorre por meio de bactérias que atuam sobre matéria orgânica. No entanto, as fibras do papel higiênico são mais resistentes e levam muito mais tempo para se decompor.
Com isso, o material tende a se acumular no fundo das fossas, reduzindo sua capacidade e exigindo manutenção mais frequente. Em situações mais graves, pode haver transbordamento e contaminação do solo e de lençóis freáticos, configurando um problema de saúde pública.
Tipos de papel e riscos de entupimento
Nem todos os produtos apresentam o mesmo comportamento dentro da rede hidráulica. Papéis mais finos e de folha simples se desintegram com maior facilidade, embora ainda ofereçam riscos. Já versões mais espessas, como folha dupla ou tripla, possuem fibras mais resistentes, o que dificulta a decomposição.
Itens como lenços umedecidos e papel toalha representam um risco ainda maior. Mesmo quando rotulados como “descartáveis no vaso”, esses produtos têm alta resistência e estão entre as principais causas de entupimentos severos em sistemas de esgoto.
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Impactos ambientais
O descarte inadequado também traz consequências ambientais. Nas estações de tratamento, o papel precisa ser separado mecanicamente, o que aumenta o consumo de energia e gera resíduos sólidos destinados a aterros sanitários. Em locais sem tratamento adequado, o material pode chegar diretamente a rios e oceanos, contribuindo para a poluição.
Além disso, a produção de papel higiênico demanda grandes quantidades de água, energia e matéria-prima. Quando descartado de forma incorreta, o impacto ambiental se amplia, com aumento de custos operacionais e emissão de gases durante a decomposição.
Qual a recomendação?
Diante desse cenário, especialistas indicam que a alternativa mais segura para a maioria das residências brasileiras é o descarte do papel higiênico em lixeiras com tampa, posicionadas ao lado do vaso sanitário.
O descarte no vaso pode ser considerado apenas em situações específicas, como imóveis com tubulação moderna, ligação à rede pública de esgoto, uso de papel de folha simples e sistemas de descarga com pressão adequada. Ainda assim, a recomendação é cautela.
Embora possa parecer um hábito ultrapassado, o uso da lixeira é visto como uma medida prática e preventiva. A prática ajuda a evitar entupimentos, reduz custos com manutenção e contribui para minimizar impactos ambientais associados ao sistema de saneamento.
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