Em um planeta onde os sinais de exaustão ambiental se acumulam nos mares, indo do branqueamento de corais à perda acelerada de biodiversidade, ainda há espaço para descobertas que surpreendem até os mais experientes cientistas. Em meio a esse cenário de alerta global, um animal marinho gigante com mais de 2 mil anos emerge como símbolo de resistência, desafiando as mudanças climáticas em um ambiente que, paradoxalmente, funciona como um verdadeiro laboratório natural.
A revelação, conduzida por pesquisadores da NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), traz à tona uma das maiores colônias de coral já registradas, tanto em idade quanto em dimensão. Trata-se de um exemplar da espécie Porites rus, cuja imponência e longevidade oferecem novas pistas sobre a capacidade de adaptação da vida marinha em condições extremas.
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UM GIGANTE ESCONDIDO NO PACÍFICO
A colossal estrutura foi encontrada dentro de uma caldeira vulcânica submersa nas Ilhas Maug, no arquipélago das Marianas, a cerca de 2.400 quilômetros das Filipinas. Descrito pelos cientistas como "semelhante a uma catedral", o coral impressiona não apenas pela estética, mas por suas proporções.
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Com cerca de 1.347 metros quadrados, a colônia se estende por mais de 31 metros no topo e 62 metros na base. O equivalente a quatro ônibus escolares enfileirados. O tamanho supera em 3,4 vezes o recorde anterior para a espécie, registrado em 2020 na Samoa Americana.
Segundo Thomas Oliver, cientista-chefe do programa de monitoramento da NOAA, a magnitude do coral impôs desafios até mesmo para sua medição. "Era tão grande que não conseguimos medi-lo facilmente devido às restrições de segurança para mergulho", afirmou.

UM SOBREVIVENTE DE MILÊNIOS
A idade estimada do coral também chama atenção. Como a espécie não apresenta anéis de crescimento visíveis, os pesquisadores recorreram à taxa média de crescimento do Porites rus, de cerca de um centímetro por ano.
Com base nesse cálculo, a colônia pode ter começado a se formar por volta de 25 a.C., tornando-se mais antiga que o próprio Império Romano. Para a cientista Hannah Barkley, integrante da equipe, o achado reforça a ideia de resiliência: "Podemos imaginar que uma colônia desse tamanho seja bem antiga".
ENTRE A VIDA E A "ZONA MORTA"
O local da descoberta é, por si só, um fenômeno científico. A caldeira de Maug abriga fontes submarinas de dióxido de carbono que acidificam a água ao redor, criando condições semelhantes às previstas para os oceanos no futuro devido às mudanças climáticas.
Esse ambiente extremo funciona como um "laboratório natural", permitindo observar, em escala real, como diferentes organismos reagem à acidificação. O contraste, no entanto, é dramático: enquanto áreas próximas às emissões de CO₂ formam verdadeiras zonas mortas, o coral gigante prospera a poucas centenas de metros dali.
"É notável ver esses dois extremos coexistindo no mesmo espaço”", destacou Barkley. "Um mega coral resiliente e próspero ao lado de um ambiente inóspito. Maug é realmente um lugar muito especial."
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