Quem nunca encontrou uma barata morta de barriga para cima no chão da cozinha ou do banheiro? Por trás dessa cena cotidiana, existe uma explicação científica que poucos conhecem.
A barata não morre porque ficou virada de costas. Na verdade, ela chega a essa posição porque já está debilitada antes disso. Insetos saudáveis conseguem se desvirar sem dificuldade, pois utilizam as pernas para balançar o corpo até retomar o equilíbrio.
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Contudo, quando o sistema nervoso perde a eficiência, esse mecanismo deixa de funcionar. Por isso, a barata fica presa nessa posição e não consegue escapar. Diversas situações comprometem o controle motor das baratas.
Entre as principais causas estão:
- Exposição a inseticidas;
- Ferimentos físicos;
- Falta de água ou alimento;
- Envelhecimento natural do inseto.
Cada uma dessas condições reduz a capacidade do animal de coordenar os movimentos das pernas. Sem essa coordenação, a barata perde o equilíbrio e cai de costas.
Além disso, ela não consegue mais buscar alimento nem escapar de predadores, o que acelera a morte.
O efeito dos inseticidas
Os inseticidas estão entre os principais responsáveis por esse comportamento. Esses produtos interferem nos neurotransmissores dos insetos e provocam espasmos, convulsões e perda total do controle motor.
Durante esse processo, as baratas movimentam as pernas de forma descoordenada e acabam virando de costas. Mesmo quando ainda estão vivas nesse estágio, elas já não conseguem retornar à posição normal.
A anatomia também explica
O entomólogo Gary F. Hevel, do Museu de História Natural dos Estados Unidos, publicou uma explicação na Smithsonian Magazine sobre o papel da anatomia nesse fenômeno.
Segundo ele, à medida que a barata se aproxima da morte, a hemolinfa, fluido que desempenha função semelhante à do sangue humano, para de circular. Sem esse suporte interno, o peso do corpo se concentra na parte superior do inseto.
Por isso, sem as pernas para sustentar o equilíbrio, o corpo tende a tombar para o lado dorsal.
O que diz a pesquisa científica?
Um estudo publicado no Journal of Experimental Biology analisou diferentes espécies de baratas e chegou a resultados relevantes.
Os pesquisadores descobriram que insetos saudáveis recuperam a posição normal em cerca de 97% das tentativas, desde que tenham tempo suficiente para reagir.
Além disso, muitas espécies realizam essa manobra em menos de um segundo, com o uso combinado de pernas, asas e rotação do corpo.
Portanto, os cientistas concluíram que baratas encontradas mortas de barriga para cima provavelmente já estavam enfraquecidas antes de ficarem presas nessa posição.
O tipo de superfície importa
Especialistas da empresa de controle de pragas Rentokil apontam outro fator relevante nesse fenômeno.
Pisos lisos, como azulejos e porcelanatos, dificultam a recuperação do equilíbrio porque não oferecem pontos de apoio para o inseto se impulsionar.
Por isso, é comum encontrar baratas mortas de barriga para cima justamente em cozinhas e banheiros, os ambientes com superfícies mais lisas dentro das residências.
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Os seguintes tipos de piso são os mais problemáticos para esses insetos:
- Azulejos e porcelanatos;
- Pisos de vidro ou mármore polido.
Assim, a combinação entre sistema nervoso comprometido e superfície inadequada faz com que a barata não consiga mais se reerguer e morra nessa posição característica.
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