O amor tem endereço no Brasil, e ele fica no sudeste do Pará, pois um município de menos de seis mil habitantes, conquistou o título de campeão nacional de casamentos.
Sapucaia registra 111 casamentos para cada mil habitantes, o que a coloca no topo do ranking nacional. Esse índice é quase 20 vezes superior à média brasileira, fixada em 5,6 casamentos por mil habitantes. A cidade tem apenas 5.847 moradores, mas seu cartório de registro civil supera municípios muito maiores em proporção.
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Os dados são das Estatísticas do Registro Civil 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados pela plataforma iCasei.
Além de Sapucaia, Abel Figueiredo é outro município paraense que aparece com frequência no topo das listas proporcionais.
Os pesquisadores atribuem esses números à realização de mutirões de casamentos comunitários ou à concentração de registros em períodos específicos. Portanto, o fenômeno tem explicação mais logística do que cultural.
Piauí registra a menor taxa do país
Enquanto o Pará se destaca pelo excesso, o Piauí apresenta o cenário oposto. O estado nordestino registra apenas 3,2 casamentos por mil habitantes, a menor taxa do país.
A preferência pela união estável, não formalizada em cartório, é apontada como o principal fator cultural que explica esse índice.
Além do Piauí, Sergipe e Rio Grande do Sul também figuram entre os estados menos casamenteiros, sendo que o gaúcho apresenta tendência histórica de queda ainda mais acentuada.
As cidades com as menores taxas, em geral, têm populações mais idosas ou culturas nas quais a informalidade conjugal é a norma predominante.
Isso reforça que os dados de nupcialidade refletem comportamentos sociais profundos e não apenas preferências individuais.
São Paulo domina em números absolutos
O estudo do IBGE distingue dois critérios de análise: o volume absoluto de casamentos e a taxa proporcional por mil habitantes. Nos números absolutos, São Paulo lidera com mais de 300 mil registros anuais.
Em seguida, aparecem Minas Gerais e Rio de Janeiro, também com volumes expressivos. No entanto, quando a análise muda para a taxa proporcional, o cenário se transforma.
Rondônia assume a liderança, com 8,9 casamentos por mil habitantes. O Distrito Federal aparece logo depois, com taxa de 8,4, seguido por Mato Grosso e Tocantins.
Portanto, os estados mais populosos não são necessariamente os mais casamenteiros em termos relativos.
Brasileiros adiam o casamento e chegam mais maduros ao altar
O comportamento dos brasileiros diante do casamento mudou de forma profunda nas últimas décadas. Segundo o IBGE, 31,3% dos homens e 25,3% das mulheres hoje se casam com 40 anos ou mais.
Esse número era inferior a 10% há vinte anos, o que evidencia uma transformação cultural significativa.
A média de idade do primeiro casamento, que nas décadas de 1970 e 1980 girava entre 20 e 23 anos, subiu para 31 a 33 anos entre os homens e 28 a 30 anos entre as mulheres.
Além disso, pesquisa do iCasei com casais ativos na plataforma confirma esse retrato. A faixa etária predominante é de 30 a 34 anos, com 26% dos respondentes.
Mais de 20% têm entre 35 e 59 anos, o que reforça que o casamento maduro é um movimento consolidado.
Para Diego Magnani, CPO do iCasei, o fenômeno reflete uma transformação cultural:
"O casamento deixou de ser o primeiro passo da vida adulta para ser a celebração da maturidade. Os casais chegam mais preparados, com maior clareza sobre o que querem."
Fatores econômicos e sociais explicam o adiamento
O adiamento do casamento está ligado a um conjunto de fatores econômicos e sociais. Os principais são:
- Aumento do tempo de estudo e qualificação profissional;
- Inserção crescente das mulheres no mercado de trabalho;
- Busca por autonomia financeira antes de formar uma família;
- Elevação do custo de vida nas grandes cidades.
Além disso, cerca de 25% a 30% dos casamentos no país envolvem pelo menos uma pessoa divorciada. Esse dado, somado ao envelhecimento da população, eleva ainda mais a média de idade nos cartórios.
A pesquisa do iCasei revela também que 82% dos respondentes se casam pela primeira vez, enquanto os 18% restantes já passaram por ao menos uma união anterior.
Casamentos homoafetivos crescem em ritmo acelerado
Um dos destaques do levantamento do IBGE são os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Desde a resolução do Conselho Nacional de Justiça em 2013, esse tipo de união cresce de forma contínua.
Em períodos específicos, os picos de crescimento superam 20%, índice muito acima do casamento civil em geral. Os estados e regiões com maior presença desse tipo de união são:
- São Paulo, com quase 40% do total nacional;
- Rio de Janeiro e Minas Gerais, na sequência;
- Santa Catarina, com crescimento acima da média nacional;
- Centro-Oeste, com alta de 28,2% nos casamentos entre mulheres.
Os casamentos entre mulheres representam entre 55% e 60% do total de uniões homoafetivas no Brasil.
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Portanto, as mulheres lideram também nesse segmento, o que aponta para uma maior disposição feminina em formalizar a relação afetiva.
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