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CLIMA

El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido

Temperatura média da superfície do mar bate recorde em agosto, em meio ao avanço do aquecimento global e à influência de um El Niño forte

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Imagem ilustrativa da notícia El Niño leva aquecimento dos oceanos a território desconhecido camera O valor também superou a maior marca registrada para o mês, de 20,98°C, em 2023. | Reprodução

Você provavelmente já percebeu mudanças nas temperaturas nos últimos dias, especialmente durante o mês de agosto. O fenômeno tem relação com um cenário que preocupa os cientistas: os oceanos do planeta atingiram um novo recorde de temperatura, mostrando que o aquecimento do sistema climático continua avançando.

De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia, a temperatura média da superfície do mar chegou a 21,10°C em 22 de agosto, superando o recorde anterior de 21,09°C, registrado em março de 2024. Os dados fazem parte da série ERA5, produzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), com registros desde 1979.

O novo recorde chama atenção principalmente pela época do ano. Normalmente, as temperaturas médias globais dos oceanos atingem os maiores valores entre março e abril, período influenciado pelo verão no Hemisfério Sul. Mesmo assim, em agosto, a média global ficou acima do recorde anterior. O valor também superou a maior marca registrada para o mês, de 20,98°C, em 2023.

El Niño aumenta o aquecimento

Para os cientistas, o recorde não é um evento isolado. Ele faz parte de uma tendência de longo prazo provocada principalmente pelo aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera.

“O recorde é outro sinal claro de um oceano sob crescente estresse”, afirmou Samantha Burgess, líder estratégica para o clima do ECMWF.

Segundo ela, o atual El Niño está acrescentando ainda mais calor ao sistema climático. O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam mais quentes que o normal e pode alterar os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo.

O El Niño, porém, não é o único responsável pelo recorde. Ele atua sobre oceanos que já estão mais quentes devido ao aquecimento global observado nas últimas décadas.

Essa combinação ajuda a explicar por que uma marca tão alta foi registrada justamente em agosto, um mês que normalmente não está entre os mais quentes do ano para os oceanos.

Calor ameaça ecossistemas marinhos

O aumento da temperatura dos oceanos traz consequências para a vida marinha. Águas mais quentes aumentam o risco de ondas de calor marinhas, que podem durar semanas ou até meses e causar impactos sobre espécies e habitats.

Os recifes de coral estão entre os ambientes mais vulneráveis, além de pradarias marinhas e outras áreas costeiras também podem ser afetadas, prejudicando espécies que dependem desses ambientes para alimentação, reprodução e abrigo.

Os impactos podem chegar ainda à economia. A pesca e a aquicultura podem sofrer com mudanças na distribuição das espécies e nas condições do oceano.

Oceanos mais quentes também elevam o nível do mar

Outro efeito importante está relacionado ao nível dos oceanos. Quando a água esquenta, ela se expande, contribuindo para a elevação do nível do mar. Esse processo ocorre ao mesmo tempo em que geleiras e mantos de gelo continentais derretem.

O resultado é uma maior vulnerabilidade para cidades costeiras e regiões de baixa altitude.

Os oceanos também têm papel fundamental no equilíbrio do clima. Eles absorvem grande parte do excesso de calor do planeta e uma parcela do dióxido de carbono presente na atmosfera. Com o aumento da temperatura da água, porém, essa capacidade de absorção de CO₂ pode diminuir, aumentando a preocupação com o avanço do aquecimento global.

Além disso, oceanos mais quentes fornecem mais energia e umidade para a atmosfera. Em determinadas condições, isso pode favorecer chuvas mais intensas e contribuir para o fortalecimento de alguns sistemas de tempestades.

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Recordes podem continuar sendo quebrados

Outro sinal de alerta é o aumento das ondas de calor marinhas. Segundo Samantha Burgess, o número de dias com esse tipo de evento em escala global mais que triplicou desde o início da década de 1990.

O novo recorde de agosto, portanto, faz parte de uma sequência de temperaturas oceânicas excepcionalmente altas.

Ainda não é possível saber quanto tempo a nova marca permanecerá. O cientista climático Zachary Labe, da Climate Central, avalia que o recorde pode ser superado novamente nos próximos meses.

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