Quem circula por mercados, feiras e regiões turísticas do Sudeste Asiático pode se deparar com uma bebida bastante diferente do que costuma encontrar em uma prateleira: uma garrafa contendo uma cobra inteira mergulhada em álcool.
Chamado de vinho de cobra, o produto faz parte de uma tradição antiga em algumas regiões da Ásia e teria mais de dois mil anos de história. A bebida é geralmente produzida com vinho de arroz ou destilados de alta graduação, nos quais a serpente permanece durante um período de infusão.
Em determinadas preparações, além da cobra, são utilizados ingredientes como ervas, ginseng e até escorpiões. O tempo de armazenamento pode chegar a vários meses, dependendo do método empregado.
Segundo informações divulgadas pelo Times of India, a tradição é associada à China antiga e teria surgido durante a dinastia Zhou Ocidental. Ao longo do tempo, a bebida deixou de estar relacionada exclusivamente às práticas medicinais tradicionais e passou a ocupar também um espaço cultural e turístico.
Atualmente, garrafas com serpentes preservadas podem ser encontradas em diferentes localidades, incluindo Vietnã, Laos, Tailândia e regiões do sul da China.
Qual é a origem do consumo?
A bebida ganhou popularidade por causa da medicina tradicional chinesa, que atribuía à cobra possíveis benefícios para a saúde. Entre as crenças estavam a melhora da circulação, o alívio de dores e da rigidez nas articulações e a redução do cansaço.
Também havia a ideia de que a força e a resistência da cobra poderiam ser passadas para quem consumisse a bebida. Por isso, o vinho de cobra chegou a ser visto como um tipo de tônico ligado à vitalidade e à potência masculina. No entanto, essas propriedades fazem parte de crenças tradicionais e não têm comprovação científica.
Serpente fica dentro do álcool
O preparo tradicional chama atenção principalmente pela forma como o animal é apresentado. A cobra é colocada inteira dentro de um recipiente de vidro, que posteriormente é preenchido com álcool de alta graduação.
A serpente permanece imersa durante meses, enquanto o líquido passa pelo processo de infusão. Dependendo da receita, outros ingredientes podem ser acrescentados à mistura.
Existe ainda um método diferente, considerado mais rápido, no qual partes do animal são utilizadas diretamente na bebida. Em algumas preparações, sangue ou bile da cobra são misturados a uma dose de álcool no momento do consumo.
A alta concentração alcoólica é apontada como um fator capaz de degradar as proteínas presentes no veneno da serpente. Isso, porém, não significa que toda bebida preparada dessa maneira seja segura. Produtos artesanais ou de origem desconhecida podem apresentar riscos.
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De tradição medicinal a souvenir
Com o passar do tempo, o vinho de cobra também ganhou espaço fora do contexto medicinal. Em algumas comunidades, a bebida é oferecida aos visitantes como demonstração de hospitalidade e respeito.
Para os turistas, as garrafas passaram a funcionar também como uma espécie de lembrança exótica das viagens pelo Sudeste Asiático. A serpente preservada no interior do recipiente é justamente o elemento que mais chama a atenção.
Apesar da aparência incomum, a bebida continua ligada a costumes antigos e representa uma combinação de tradição, crenças populares e comércio turístico em algumas partes da Ásia.
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