Uma família decidiu retirar de casa um quadro após os moradores relatarem um episódio que provocou medo: durante a madrugada, a pintura teria apresentado marcas semelhantes a lágrimas no rosto da criança retratada. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu uma antiga lenda urbana relacionada aos chamados "quadros das crianças que choram".
A história remete principalmente ao famoso "Menino Chorando", conjunto de pinturas atribuídas ao artista italiano Giovanni Bragolin, pseudônimo de Bruno Amadio. Por décadas, reproduções dessas obras foram cercadas por relatos de acontecimentos misteriosos, incêndios e até supostos fenômenos sobrenaturais.
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OS QUADROS QUE SOVREVIVIAM AOS INCÊNDIOS

A história ganhou força no Brasil principalmente nas décadas de 1970 e 1980. Segundo a lenda, casas onde havia reproduções dos quadros poderiam ser atingidas por incêndios misteriosos.
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O detalhe que mais alimentou o imaginário popular era ainda mais assustador: depois dos incêndios, os quadros das crianças chorando supostamente permaneciam intactos entre os escombros.
A partir daí, algumas pessoas passaram a acreditar que as pinturas carregavam uma espécie de maldição. Reproduções foram jogadas fora e até queimadas por proprietários que temiam que a presença das obras pudesse trazer algum tipo de desgraça.
E QUANDO O QUADRO PARECE "CHORAR"?
Outro elemento recorrente nas histórias envolvendo as pinturas é justamente o aparecimento de lágrimas no rosto das crianças retratadas.
Relatos de pessoas que afirmavam ter visto os olhos das figuras acumularem ou liberarem lágrimas ajudaram a fortalecer a fama sobrenatural das obras. Em alguns casos, também surgiram histórias de mudanças na expressão dos personagens durante a noite.
Foi esse tipo de narrativa que voltou a circular após o episódio relatado pela família. No entanto, apesar do aspecto assustador, não há evidências científicas de que uma pintura possa chorar ou apresentar fenômenos provocados por forças sobrenaturais.
QUEM FOI O ARTISTA POR TRÁS DO "MENINO CHORANDO"?

As pinturas ficaram associadas ao nome de Giovanni Bragolin, pseudônimo utilizado pelo italiano Bruno Amadio. O artista produziu uma série de retratos de crianças chorando no período posterior à Segunda Guerra Mundial.
As imagens, marcadas por expressões de tristeza e sofrimento, acabaram sendo reproduzidas em larga escala e distribuídas comercialmente em diferentes países. De alguma forma, a atmosfera melancólica das obras contribuiu para a construção das histórias que posteriormente passaram a acompanhá-las.
A FORÇA DE UMA LENDA URBANA
O sucesso da história mostra como uma obra de arte pode ultrapassar seu significado original e ganhar uma nova existência no imaginário popular.
No caso dos "quadros das crianças que choram", os relatos de incêndios, a suposta resistência das pinturas ao fogo e as histórias de lágrimas criaram uma narrativa que atravessou gerações. Mesmo sem comprovação de qualquer maldição, o medo permaneceu.
E, no caso dessa família, a explicação racional não foi suficiente para afastar o susto: depois de perceber o que parecia ser uma lágrima na pintura durante a madrugada, os moradores preferiram não correr riscos e colocaram o quadro para fora de casa.
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