Na literatura, a expressão em latim “fugere urbem” significa “fugir da cidade”. O jargão do escritor latino Horácio simboliza o lema dos poetas que tem a natureza como inspiração. Distante da poesia, mas também imersos na arte, os músicos da banda Fresno buscaram um cenário bucólico para inspirar o novo trabalho. Batizado de “Eu Sou a Maré Viva”, o sétimo disco da banda foi desenvolvido em um sítio em Igaratá, interior de São Paulo.
O grupo encarou o espaço como refúgio e aproveitou o distanciamento da capital para criar e deixar fluir o processo musical sem pressão. O novo álbum lançado tem cinco faixas, o que, para muitos pode caracterizá-lo como EP. No entanto, eles pretendem trabalhá-lo como um disco de carreira.
“Vimos que cinco faixas seriam melhor para a nossa proposta. Ao invés de ficar ensaiando exaustivamente no estúdio, montamos os equipamentos em um sítio e com um número pequeno ficaria mais fácil dar mais atenção para todas as nossas músicas. Nos desvencilhamos da cidade grande, nos concentramos em nós mesmos, na música, e inovamos bastante”, conta o guitarrista Vavo.
Toda a parte instrumental foi captada em uma semana, com sessões de gravação que se revezavam com banhos de rio e explorações na mata. O disco foi gravado à beira de uma represa. Os vocais foram captados num estúdio móvel montado num pier flutuante, de modo que muitas reverberações e delays dos vocais são realmente reflexões da voz do produtor do disco e vocalista da banda Lucas Silveira, que ecoava pela paisagem deserta.
O formato de gravação não é a única inovação do álbum. O grupo também resolveu apostar em participações especiais. A faixa ‘Manifesto’, segunda do disco, foi gravada com Lenine e Emicida. “É a primeira vez que trabalhamos com participações em um disco. Já havíamos feito em programas de TV. Ficou muito legal, para nós é uma novidade. Está tendo uma repercussão muito boa e queremos gravar nos próximos discos com outros artistas”, diz Vavo.
As outras músicas são ‘À Prova de Balas’, ‘O Único a Perder’, ‘Icarus’ e a faixa-título ‘Eu Sou a Maré Viva’, todas de autoria de Lucas Silveira, com a participação dos integrantes da banda Vavo (guitarra), Guerra (bateria) e Mario (teclados). Lucas Lima, da Família Lima, gravou violino em três faixas e coproduziu os arranjos de cordas com a banda.
Segundo Vavo, o nome ‘Eu Sou a Maré Viva’ foi inspirado no fenômeno da natureza. “A maré viva vem com tudo, passa por cima, vem como uma onda e contagia todas as pessoas. É essa mensagem que queremos passar com a música, que essa maré viva invada todo mundo”, deseja. Por enquanto, essa onda chamada Fresno ainda não tem previsão de passar por aqui. “Belém é uma das poucas capitais que ainda não tocamos, provavelmente uma das maiores. Vários amigos de outras bandas já foram e a gente espera poder ir um dia. Temos muita curiosidade em conhecer a cidade e o público”, revela.
(Diário do Pará)
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