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Mestre Vital encanta público de Belém

“Com os palcos, estou acostumado há tempos, o que me deixou um pouco nervoso foi estar me apresentando aqui”, declarou Mestre Vital, deslumbrado em ver seu trabalho, que imaginou desvalorizado, sendo levado até a capital paraense para ser apresentado a

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“Com os palcos, estou acostumado há tempos, o que me deixou um pouco nervoso foi estar me apresentando aqui”, declarou Mestre Vital, deslumbrado em ver seu trabalho, que imaginou desvalorizado, sendo levado até a capital paraense para ser apresentado ao público em grande estilo, em um teatro, com ingressos, poltronas, fila na porta de entrada, autógrafos e fotos em seguida.

Mestre Vital, ou Alchimedes Vital Batista, é poeta, músico e pensador nascido ribeirinho, no Baixo Tocantins. Com o grupo musical que ele próprio fundou, apresentou-se na noite da última quinta-feira na programação do “Sonoridades e Memórias no Rio Tocantins”, no Centro Cultural Sesc Boulevard, em Belém. Produzido em parceria com alunos da Estácio FAP, o encontro incluiu um bate-papo com o mestre sobre seus mais de 40 anos de produção cultural e sua criação: o Engole Cobra.

“O Engole Cobra é um bicho que nasceu da minha imaginação e que eu batizei com este nome. Ele seria capaz de engolir todos os depredadores da natureza e corruptos, essas cobras que andam soltas por aí”, explicou Mestre Vital. O ser mítico foi início de toda uma forma de trabalho que, influenciada por cantores como Zé Ramalho, Raul Seixas e Tom Zé, apresenta composições que falam da vida de forma simples e conhecedora.

“Adora dizer que é machão, mas anda por aí com liga no cabelo e na orelha um brincão. Olhe lá, meu amigo, e olhe lá. Tudo isso é moderno e olhe lá”, diz o trecho da música “Modernidade”. “Essas músicas foram sendo compostas ao longo de muitos anos. Os temas foram surgindo e agora começo a reunir um pouco de cada período. E olhe que engraçado: o que ainda hoje componho, vejo e penso bate com o que escrevi há 20 anos”, comentou Mestre Vital.

Hoje, com 68 anos, o ribeirinho de voz meio rouca e boa de ouvir considera que tudo está sendo reiniciado. Mestre Vital já estava há cerca de três anos sem realizar shows. Em parte porque acredita que é “algo para quem gosta e pouco para quem deseja sobreviver dela”. Outra razão, ele considera, foi a perda do filho. “Ele sofreu um acidente como o do nosso craque Neymar. Era um grande jogador de futebol e principalmente, meu parceiro na música, tocava com o grupo. Mas também é por ele que agora volto”, declarou, emocionado.

E subiu ao palco como sempre, de forma performática: um par de chifres feitos de isopor saía de seus ombros, o torso e o rosto pintados de branco, uma calça verde que lembrava coisas da mata e, nos pés, uma pata de bicho feita com papel cartão. “Eu mesmo penso e faço cada fantasia... É um pouco complicado de cantar assim, mas necessário, porque muda tudo, dá o que é preciso para subir lá. Lembra bicho, porque bicho é o que eu gostaria de ser”, conta Mestre Vital.

Os integrantes tocando viola, reco-reco, tambor e cuíca se apresentaram também fantasiados, com os rostos pintados, misturando ritmos locais com as referências nacionais que inspiraram Mestre Vital. Falou-se de uma devastação da natureza que levará ao fim do homem, de homens de 60 anos que querem ser jovens, das moças namoradeiras. Em suas músicas, falou-se de tudo. Na plateia, quem ainda não conhecia Mestre Vital ficou de boca aberta ao descobrir que temos uma mistura de Raul Seixas com Tom Zé amazônico. O show formou público e fãs, ávidos por um novo encontro.

(Diário do Pará)

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