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Um coração que bate forte por Belém

Carlos Henry é médico, escritor, cantor e compositor nascido em Manaus. E o que marca sua carreira musical é tê-la iniciado em festivais de música popular de Belém. Alcançou projeção nacional com a composição “Valsa em Se”, selecionada entre 12 canções no

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Carlos Henry é médico, escritor, cantor e compositor nascido em Manaus. E o que marca sua carreira musical é tê-la iniciado em festivais de música popular de Belém. Alcançou projeção nacional com a composição “Valsa em Se”, selecionada entre 12 canções no Festival da Música Brasileira no ano 2000. Agora, em 2014, o disco “Gerações”, que Henry lançou em 1981 e marcou o início de sua carreira, foi relançado em CD.
O músico veio de São Paulo para apresentar o show desse disco revisitado semana passada. Sobre esse retorno à cidade e ao seu primeiro álbum, ele conversou com exclusividade ao caderno Você:

Por que voltar ao álbum “Gerações”?
Isso acorreu aproveitando os 50 anos do Golpe Militar no Brasil. As músicas deste disco foram feitas nos anos 1970, refletem aquele período, no entanto permanecem atuais. A música “Sonhos de Valsa”, por exemplo, que cheguei a apresentar durante o projeto Pixinguinha, que existia aqui em Belém, foi censurada na época. Eles não aceitavam músicas que falassem sobre amor e vagabundagem.

Você participou do projeto “Jornada Dupla” do Sesc, em 2001, que reuniu músicos que exerciam paralelamente à música outras profissões. Como está essa relação entre sua música e a vida de médico?
Não me considero um profissional da música. Quando comecei a cantar e a compor, no início dos anos 1970, eu já era um acadêmico de medicina. Como diz o ditado, “música não dá camisa”. É difícil sobreviver dela, então considero que minha profissão é cardiologista. Mas, apesar de não viver dela, a música é que me dá mais prazer. Eu continuo minha produção solo e sou também parceiro do Elton Medeiros [compositor carioca] e do Eduardo Gudin [compositor paulista].

Ainda consegue vir a Belém com frequência?
Eu saí do Pará em 1978 para fazer residência médica e acabei ficando em São Paulo, sem nunca ter deixado de vir a Belém. Ainda tenho irmãs morando aqui e nunca me desliguei da cidade, meus amigos estão todos aqui. Costumo vir pelo mês de janeiro e no Natal. A verdade é que eu nunca consegui cortar esse cordão umbilical (risos).

Com Nego Nelson você apresentou o show “Meio a Meio”, que marca o retorno de “Geração”. Com quem mais a amizade se estende aqui em Belém?
Com muita gente (risos). Entre tantos, o amigo Gilson, que conheço há mais de 40 anos. Na Casa do Gilson cheguei inclusive a lançar meu e-book “A Palavra Acesa”, ano passado, com textos do período em que eu me recuperava de um transplante.

No que você está trabalhando agora, além dos shows de relançamento do álbum “Gerações”?
Estou fazendo um novo álbum chamado “Olho Mágico” que espero lançar ano que vem. Enquanto isso, vou fazendo shows em São Paulo agora no final de agosto, reunindo, na verdade, um pouco de dois álbuns: o “Gerações” e o “Anjo Torto”, que também possui canções bastante atuais. Este show acabou sendo uma visão geral do meu trabalho.

(Diário do Pará)

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