O olhar da cineasta Jorane Castro em fotografias produzidas ao longo de vários anos está na mostra “Diante das Cidades, Sob o Signo do Tempo”, que abre esta noite, no Museu da UFPA, como parte da programação do 6º Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, paralela à mostra de artistas selecionados, que já pode ser vista desde ontem no Espaço Cultural Casa das Onze Janelas. A visitação para as duas exposições acontece até o dia 28 de junho, com entrada franca.
Ter uma cineasta como artista convidada deste ano reforça o objetivo do Diário Contemporâneo em aumentar o diálogo da fotografia com as outras linguagens e ultrapassar as fronteiras entre elas, tendo como resultado uma produção artística mais híbrida. Jorane Castro é diretora, roteirista, produtora e professora do Curso de Bacharelado em Cinema e Audiovisual da UFPA. Mestre em Ethnometodologia pela Universite de Paris VII – Universite Denis Diderot, U.P. VII, França, com ênfase em Sociologia aplicada ao Cinema, ela coordena a Cabocla Produções e desenvolve pesquisas na área da linguagem audiovisual, privilegiando a Amazônia.
“Diante das Cidades, Sob o Signo do Tempo” é o título de um projeto que ela realizou nos anos 1980 junto com o fotógrafo Mariano Klautau Filho, curador do Prêmio Diário Contemporâneo. Depois de tantos anos, ele empresta o nome à mostra que também abriga muito do material produzido àquela época. “Nos anos 1980, a gente fazia parte de uma mesma geração e a Jorane já tinha um trabalho que fugia muito do ‘comum’ dos fotógrafos”, conta Mariano.
O incomum descrito pelo curador é, já naquela época, uma fotografia urbana e muito sombria. Quando fotografava pessoas, Jorane as transformava em personagens das suas sequências fotográficas. Mesmo em preto e branco, clássico da fotografia documental, a artista já era muito mais subjetiva do que factual. Ela ainda fotografava trechos de filmes, numa relação de apropriação com o cinema. “Eu acompanhei de perto essa produção porque nós trabalhamos e fotografamos muito juntos. Foi uma época em que tínhamos projetos em comum, mas ela já tinha uma coisa mais noir, com um clima de mistério. Já era uma visão cinematográfica”, lembra Mariano.
O curador se debruçou sobre o acervo da artista e pôde rever muitos trabalhos que já conhecia e encontrar outros tantos inéditos. Em “Diante das Cidades, Sob o Signo do Tempo”, será visto um apanhado do trabalho de Jorane. Séries, conjuntos, trabalhos em que Jorane fotografou sequências inteiras como se fossem micronarrativas, obras que ganharam um movimento muito interessante no suporte do vídeo. A fotografia nunca estará solitária nesta exposição que vai exibir o que ela fotografava “de fato” na vida, com o que se apropriava dos filmes. As ficções da artista se misturam.
Serão vistas também as fotografias do Instagram de Jorane, recurso que ela utiliza muito, inclusive como pesquisa. “Essas fotografias mais recentes dela são realizadas pensando nos filmes, como ‘anotações visuais’ do cotidiano. É um lado mais colorido e contemporâneo, mas que se aproxima muito daqueles trabalhos dos anos 1980”, explica Mariano.
O Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia é uma realização do jornal DIÁRIO DO PARÁ, com patrocínio do Shopping Pátio Belém e Vale, apoio institucional da Casa das Onze Janelas, do Sistema Integrado de Museus/Secult-PA, Sol Informática e Museu da Universidade Federal do Pará.
(Diário do Pará)
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