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Ícone do choro, Adamor do Bandolim lança disco

“Minha tribuna é o palco. Meu microfone é o bandolim e minhas palavras são a música, esta que, para mim, é religião cujo choro é a doutrina”. Assim define Adamor do Bandolim o seu sentimento sobre a música que fez e faz parte de sua vida e de sua história

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“Minha tribuna é o palco. Meu microfone é o bandolim e minhas palavras são a música, esta que, para mim, é religião cujo choro é a doutrina”. Assim define Adamor do Bandolim o seu sentimento sobre a música que fez e faz parte de sua vida e de sua história.

Com 72 anos e mais de 100 composições, ele tem uma vida inteira dedicada ao choro. Uma bela trajetória deste cidadão do município de Anajás, cidade do arquipélago do Marajó, que apresenta hoje no Teatro Margarida Schivasappa seu choro marajoara executado em seu quarto álbum, “Lágrimas da Minha Ilha”, dedicado ao Padre Giovanni Gallo, que ergueu o Museu do Marajó na terra que ele tanto ama.

“O choro feito em nossa terra é um choro caboclo, que não perde a essência daquele que nasceu no Rio de Janeiro, mas que cita nossas influências. Eu faço o choro que chamo de ‘lamento marajoara’, sempre pedindo que os olhares se voltem para este arquipélago que não tem a atenção que merecia”, explica.

De agilidade única, Adamor continua feroz em suas escalas e arpejos. Sua música é, também, resultado de homenagens, seja para pessoas, ilhas ou dias: o bandolim é a extensão de suas mãos e as composições, colheita fácil.

“O choro marajoara tem influências do retumbão, da marujada, isso sem falar nas músicas caribenhas que tocavam nas nossas rádios. Ele é feito dessa miscigenação dos ritmos. No disco, apresentamos ele e também xote, a valsa, o choro samba e, o meu preferido, o choro canção. Por isso que eu digo que o disco mistura sentimentos de alegria e tristeza, mas com uma pitadinha maior de tristeza”, explica o artista, que aprendeu a tocar por conta própria e construiu uma trajetória especial no choro paraense, que soa quase que como uma militância que se concretizou com o primeiro vinil laçado em 1992.

“Aprendi a tocar ouvindo os músicos dos rios da minha cidade e depois fui tocar nas festas. O legal é que aprendemos com esses instrumentos acústicos como banjo, violão, bumbo feito com couro de onça ou veado, amarrado com cipó. Essas músicas dessa época ainda flutuam na minha mente e fazem parte da minha memória musical. Quando eu tinha 8 anos, meu pai comprou uma vitrola e, com ela, vários vinis vieram, um deles do Pixinguinha. Eu ficava impressionado com aquele som. Eu achava que o Aníbal Augusto Sardinha [1915-1955, multi-instrumentista conhecido pelo apelido de Garoto] era uma criança como eu, pensava se um dia tocaria como ele”, relembra o músico.

HOMENAGEM

Com 13 faixas, “Lágrimas da Minha Ilha” foi contemplado pelo edital do programa Natura Musical e contou com a participação de Sebastião Tapajós, Trio Manari e Chiquinho do Acordeon. Nas bases do disco, o Gente de Choro, fundado em 1979, do qual também participa Adamor e mais Paulinho Borges (flauta), Gilson Rodrigues (bandolim e cavaquinho), Carlos Bochecha (cavaquinho), Cardosinho (violão 6 cordas), Paulinho Moura (violão 7 cordas) e Emílio Meninéa (percussão). O disco traz ainda Marcelo Ramos (violão 7 cordas), Luiz Pardal (celesta e violino), Leandrinho (cavaquinho), Esdras de Souza (sax), Johab Quadros (trompete), Jó Ribeiro (trombone) e Thiago Amaral (clarinete).

“A emoção é de dever cumprido, até porque meu intuito não é comercial, e sim de fazer com que o povo beba dessa música e da história de sua terra, principalmente de Padre Giovanni Gallo, que eu tive a honra de conhecer, e que mesmo percorrendo vários lugares do Brasil se apaixonou pelo Marajó. Ele conviveu com pescadores e resolveu resgatar nossa cultura, tanto que criou o Museu do Marajó, que conta nossa história. Ele chegou até a largar a batina para continuar sua pesquisa até a morte. Tenho muita admiração por essa história de doação”, completa Adamor.

TRIBUTO AO MARAJÓ

Lançamento “Lágrimas da Minha Ilha”, de Adamor do Bandolim.
Quando: Hoje, às 20h.
Local: Teatro Margarida Schivasappa (Centur - Gentil, esquina com Rui Barbosa).
Participações especiais: Sebastião Tapajós, Chiquinho do Acordeon e Engole o Choro.
Quanto: Entrada franca.

(Diário do Pará)

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