Foram três anos de silêncio, mas finalmente o período sabático de Mestre Zenóbio acabou. O fundador do Cordão da Bicharada voltará a se apresentar com seu grupo neste domingo em Mocajuba e tocará seu instrumento favorito, o saxofone. A apresentação do Cordão da Bicharada será às 16h, chegando pelo Rio Furtado em um barco decorado, que vai ancorar na comunidade Nossa Senhora das Graças. E para registrar esse momento histórico, um grupo de jovens estudantes da Faculdade Estácio/FAP já embarcou para o município.
A visita dos estudantes a Mocajuba faz parte do projeto de extensão “Cartografias Amazônicas”, coordenado pela professora Viviane Menna Barreto, e que tem a intenção de resgatar a obra e a trajetória de mestres populares como Zenóbio, 65 anos, fundador do famoso Cordão da Bicharada. O cordão nasceu 40 anos atrás na vila Juaba, em Cametá, à beira do rio Tocantins. É uma manifestação folclórica e carnavalesca adorada por pessoas de todas as idades, em que os brincantes saem pelas ruas fantasiados de animais como a coruja, o galo, o tucano, as araras azul e vermelha, as borboletas, o leão, o tigre, o macaco, o coelho, a onça e vários outros, que levam a mensagem da importância de se cuidar bem da natureza.
Neste domingo, o Cordão da Bicharada mostrará ao público ribeirinho as novas fantasias feitas pelo mestre, após a ação em busca de patrocínios apoiada pelos alunos da FAP, que em 2013 conheceram um Zenóbio desiludido e triste com as dificuldades em seguir com suas criações. Foram três anos construindo uma nova história junto com Zenóbio, além dos muros acadêmicos. Segundo a professora Viviane Menna Barreto, o processo de construção conjunta não acaba com a expedição, a ideia é apoiar todas as futuras ações do mestre e, quem sabe, criar o Museu Comunitário da Bicharada, onde seria exposto parte do acervo de fantasias de bichos criadas por Zenóbio.
“O cordão criado pelo Mestre Zenóbio é muito importante, ficamos muito felizes em ajudar nesse processo de reconstrução. A Bicharada chega a ser uma crônica de temas que afligem as comunidades da Amazônia. Ele encontrou uma forma divertida e inteligente de ambientar essas críticas e anseios. É o trabalho de uma vida toda que precisa de atenção, até mesmo em relação à pesquisa”, afirma a professora.
Para o estudante de publicidade Renan de Oliveira, que integra a expedição, viajar pela Amazônia significa descobrir mais sobre a cultura paraense e construir um repertório repleto de sabedorias. “Durante estas viagens agrego conhecimentos que irei adicionar na minha vida e no meu criar artístico por meio da percepção de cores e memórias, que servirão de referências para meus trabalhos futuros”, avalia.
(Diário do Pará)
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