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Mostra reúne ícones da videoarte

Nem só de telas e pincéis nasce uma relação poética da imagem. Em muitos casos, filmes e vídeos podem ser o suporte para esta criação que é visual, mas também sensorial, estética, plástica. Com um acervo de videoarte, uma mostra da Coleção Itaú Cultural t

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Nem só de telas e pincéis nasce uma relação poética da imagem. Em muitos casos, filmes e vídeos podem ser o suporte para esta criação que é visual, mas também sensorial, estética, plástica. Com um acervo de videoarte, uma mostra da Coleção Itaú Cultural traz obras que traçam uma linha do tempo dessa produção realizada no Brasil por artistas com proposta experimental. As datas nos fazem perceber que esse movimento se inicia no país em consonância com o cenário internacional, ainda no final da década de 1970 e início dos anos 1980

“As 12 obras que compõem a exposição foram pioneiras”, ressalta o curador Roberto Moreira S. Cruz. Nas paredes do Espaço Cultural Casa das Onze Janelas, a mostra que abre hoje reúne obras de artistas vanguardistas como Letícia Parente, Nelson Leirner, Anna Bella Geiger e Regina Silveira, em consonância com trabalhos contemporâneos de Cao Guimarães, Brígida Baltar, Eder Santos, Gisela Motta e Leandro Lima, Rivane Neuenschwander, Sara Ramo e Thiago Rocha Pitta. Um verdadeiro passeio por criações que vêm dos primórdios desse tipo de linguagem, com produções feitas em VHS, Super 8, 16mm e portapack até os trabalhos mais contemporâneos, que se aproximam da linguagem do cinema.

“Fica bem claro na exposição como o aspecto técnico influenciou nas produções. Em um primeiro momento, ainda nas décadas de 1970 e 1980, vemos os artistas trabalhando com suporte mais alternativo até chegar no contemporâneo, onde a evolução tecnológica proporcionou a digitalização das coisas, inclusive da imagem. Fazemos um verdadeiro recorte da dinâmica que acompanhou essa produção cultural”, completa Roberto. “Os próprios autores haviam esquecido de grande parte desse material, como ‘Homenagem a Steinberg – Variações sobre um tema de Steinberg: As Máscaras Nº 1’, de Nelson Leirner, que estava perdida em sua casa e fizemos o restauro e a remasterização”, conta o curador.

Entre os nomes que compõem a exposição, muitos artistas plásticos produzindo audiovisual, e Roberto afirma que a multilinguagem artística é um movimento cada vez mais forte. “Os artistas de uma forma geral são, ou deveriam ser, naturalmente multimídia. Muitos trabalham com fotografia, performance, cinema e hoje está cada vez mais comum transitar em diversas linguagens”, acredita.

A mostra já passou pelas cidades de Curitiba, Brasília, Recife e Belo Horizonte. O diferencial para esta edição em Belém é a entrada da mais recente aquisição do acervo, “Triunfo Hermético”, produzida pelo artista plástico Rubens Gerchman em 1972. O filme em cores de 35mm, do qual o carioca foi roteirista, cenógrafo e diretor, é um dos destaques da linha curatorial de Roberto, apresentada em dois eixos, sendo o primeiro – do qual “Triunfo Hermético” faz parte – aquele que traz à tona a força inventiva de filmes e vídeos históricos do acervo.

O curador diz que essa foi uma fase difícil para os artistas pela inexistência de um mercado que pudesse dar visibilidade a esta produção e também porque o cenário cultural brasileiro estava fortemente submetido à censura imposta pelo regime militar. “Os filmes e vídeos mais originais e inventivos, realizados neste contexto, permaneceram durante muito tempo desconhecidos do público e praticamente abandonados nas gavetas dos estúdios e ateliês dos próprios artistas”, revela.

No segundo eixo está a fase mais contemporânea, a partir dos anos 1990. “Selecionamos os trabalhos com base na sua representação antológica e na forte questão mercadológica que representam atualmente”, diz.

(Diário do Pará)

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