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Fãs lembram dos quatro anos sem Amy Winehouse

Os argumentos eram muitos para afirmar que ela era uma cantora excepcional, impactante e polêmica. Amy Winehouse conseguia transitar tranquilamente pelo pop, R&B, jazz e ritmos jamaicanos. Parecia não haver barreiras musicais para ela, que escrevia letras

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Os argumentos eram muitos para afirmar que ela era uma cantora excepcional, impactante e polêmica. Amy Winehouse conseguia transitar tranquilamente pelo pop, R&B, jazz e ritmos jamaicanos. Parecia não haver barreiras musicais para ela, que escrevia letras com mensagens fortes e pungentes. Além disso, Amy tinha uma voz digna das grandes cantoras da soul music.

A garota britânica queria e vivia tudo intensamente. Diante de tanto sucesso, viveu cobranças, desilusões, depressão e um vício que a consumiu aos poucos. Morreu cedo, aos 27, dando mais margem à ideia de que essa é a idade maldita para artistas geniais e problemáticos.

Hoje, se completam quatro anos desde que Amy deixou uma legião de fãs desolados. Segundo o laudo dos legistas, por uma intoxicação aguda com uma droga legal: tinha consumido uma quantidade enorme de vodca.

A primeira aparição da cantora no cenário musical britânico foi em 2003, com o álbum de estreia “Frank”. Mas foi com “Back to Black” que Winehouse ganhou fama, vendendo seis milhões de cópias e conquistando o título de disco mais vendido de 2007 - depois da morte dela, o disco se tornou o mais vendido do século 21 no Reino Unido. A compilação póstuma “Lioness: Hidden Treasures” também fez bastante sucesso entre os fãs.

“Back to Black” é um álbum cheio de canções que falam de sofrimento, que a tornaram famosa também nos Estados Unidos.
“O que mais me encantava na Amy era a voz. Eu tinha 15 anos quando a ouvi pela primeira vez. Era diferente de tudo até então. Fora que cresci em Belém, uma cidade cheia de tabus, e experienciar as músicas dela nessa época foi uma loucura. Minha mãe morria de medo. O meu processo criativo é muito parecido com o dela, e sempre me identifiquei com as letras”, diz o artista visual Danilo Pontes, que recentemente esteve em Londres e visitou o pub “The Good Mixer”, um dos lugares favoritos da cantora.

Já a psicóloga Luísa Terzi conta que na época que Amy morreu ela decidiu fazer uma tatuagem para homenagear a cantora. Para ela, as letras das canções jamais serão esquecidas, assim como Amy. “Toda música dela faz parte da minha vida de alguma forma. Curto tudo nela, esse jeito que ela teve de levar a vida ao extremo, principalmente no amor, mesmo sabendo que foi um amor desgastante e destruidor. Essa sina de ter levado até o final esse relacionamento foi mesmo o que a levou ao fim”, opina Luísa.

Tanto quanto pelo talento, Winehouse ficou famosa por suas aparições públicas totalmente alcoolizada, incluindo uma vez em que saiu correndo do palco para vomitar. Além das brigas com o eterno amor Blake Fielder-Civil. Todas esses aspectos conturbados estão no documentário “Amy” de Asif Kapadia, que estreia no Brasil em setembro.

Além de mostrar a trajetória musical dela, o filme levanta o debate de Amy ter sido vítima dos modelos dominantes de beleza, o que teria sido um dos motivos para que terminasse ferida por um relacionamento tóxico aliado à baixa autoestima.

Sua morte precoce é uma das influências nas novas músicas da banda Libertines. Em entrevista ao site especializado em música NME, o vocalista Pete Doherty, amigo de Amy, disse: “Ela nunca foi uma grande fã das minhas composições, ou talvez nunca tenha admitido isso. Ela era um pouco cruel em suas críticas, mas em muitas vezes nós éramos almas gêmeas, e todos os caras [da banda] a amavam. Ela era muito inspiradora também, e isso tudo porque ela sempre se baseava em padrões muito altos.”

Em janeiro, Doherty lançou uma música em homenagem a Amy, “Flags Of The Old Regime”. Os lucros arrecadados com a venda da faixa foram destinados à Amy Winehouse Foundation, organização criada pela família da artista, que busca ajudar jovens que sofrem com a dependência química.

(Diário do Pará)

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