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A satisfação da aposentadoria

A satisfação da aposentadoria Existem dois conceitos tratados na pesquisa. Tempo livre não é o mesmo que tempo desocupado. O tempo livre permite ter lazer de forma desligada das obrigações, para fazer o que se gosta e conviver com quem se gosta. Já o temp

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A satisfação da aposentadoria Existem dois conceitos tratados na pesquisa. Tempo livre não é o mesmo que tempo desocupado. O tempo livre permite ter lazer de forma desligada das obrigações, para fazer o que se gosta e conviver com quem se gosta. Já o tempo desocupado é um período em que a pessoa não consegue ingressar no mercado de trabalho. Sendo assim, o lazer não pode ser confundido com não fazer nada, ele corresponde a uma sensação de liberdade no fim do dia, da semana, do ano ou da vida funcional, que é o período da aposentadoria.

A pesquisa feita pela GFK também descobriu que as pessoas com mais de 60 anos são as que demonstram maior satisfação com a quantidade de tempo de lazer, com quase 31% de entrevistados completamente satisfeitos e com 46% suficientemente satisfeitos. Mas as outras faixas etárias não estão muito atrás daqueles que afirmam que estão suficientemente satisfeitos, com níveis que variam de 40% a 43%. Porém, se referindo a uma satisfação total, esses grupos etários aparecem bem atrás quando comparados às pessoas com mais de 60 anos de idade.

O lazer na Terceira Idade tem o objetivo de despertar as potencialidades dos idosos para aspectos criativos e sociais, estimulando a socialização, o compartilhar de experiências, a sensibilidade, as emoções, a comunicação, o aprendizado de coisas novas, permitindo que tenham uma vida ativa sem obrigações, com mais satisfação e qualidade, sendo valorizados e respeitados pela sociedade.

O aumento da população idosa no Brasil, vivendo de aposentadoria, é uma oportunidade de ouro para quem trabalha no ramo de viagens, por exemplo. Pois parte desses idosos já estão com a vida financeira estável, já criaram os filhos, já se aposentaram, adquiriram a maioria dos bens materiais e agora têm o tempo livre para conhecer novos lugares e ter todo o lazer possível.

É claro, o processo de envelhecimento pode ser um período extremamente difícil, mas depende muito de como ele é conduzido e vivido. O ideal seria envelhecer com saúde, com a participação em atividades de lazer e com uma ampla convivência social, práticas que elevam a autoestima e dão ao idoso qualidade de vida, ao permitir que ele estabeleça relações com as pessoas e com o mundo.

Esse é o caso da aposentada Maria Olga, 76, que depois de criar os filhos junto com o marido, aproveita cada minuto de seu tempo com as coisas que gosta. “O meu lazer é sair com meus parentes, conversar com meus amigos, e graças à Deus tenho muitos, e também tem meu netinho, que alegra meus momentos. Criei meus filhos com muito amor e hoje sinto a diferença, claro. O tempo vai passando, vai chegando a idade e a gente vai buscando outras coisas”, conta Maria Olga.

Mas não significa que a aposentadoria serve para compensar o lazer que não se teve em etapas anteriores da vida. Isso porque cada momento revela características e vontades diferentes. Para Maria Olga, por exemplo, o lazer pode estar no ato de ajudar as pessoas. Ela é brinquedista voluntária na Pastoral da Criança da Paróquia Santa Paula Frassinetti e diz que prestar esse serviço também é uma forma de ter satisfação. “É um prazer muito grande, é muito amor, uma troca linda. Eu amo essas crianças demais. Além da minha família, eles são tudo para mim, me abraçam, me respeitam muito. Tem gente que foi criança comigo na Pastoral e que agora já tem filhos que me chamam de avó. Não sei como seria minha vida se não fossem essas coisas, que me preenchem”, diz Maria.

Ela ainda aconselha, cheia de emoção: “O segredo é o equilíbrio. Reservo o meu tempo pra cada coisa, mas sempre fazendo o que amo. A vida é assim, o pouco que eu sei, quero passar para quem sabe menos do que eu. Gasto meu tempo espalhando amor, assim me divirto, conversando e trocando com as pessoas de todas as idades. Sempre digo às amigas da minha idade que a gente tem muita coisa para realizar.”

(Diário do Pará)

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